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Além das mortes e da destruição, Nova Friburgo e Teresópolis compartilham a mesma história de corrupção

O mês de janeiro de 2011 jamais será esquecido pelos moradores dos municípios de Nova Friburgo e Teresópolis. Além dos danos materiais, as chuvas ceifaram 905 vidas (número oficial de corpos encontrados sob escombros e lama) e 191 pessoas ainda estão desaparecidas. Se a tragédia provocou dores e sofrimentos, a má conduta de quem deveria cuidar da recuperação das áreas destruídas causou prejuízos estimados em cerca de R$ 30 milhões, dinheiro que, segundo denunciou os ministérios públicos estadual e federal, sumiu nos ralos da corrupção. Compartilhando a mesma catástrofe e a mesma roubalheira, Nova Friburgo e Teresópolis viveram ainda mais uma coincidência: tiveram três prefeitos em quatro anos e nem por isso evoluíram em alguma coisa.

É do Legislativo de Seropédica o pior exemplo: 21,1 comissionados por vereador e a Casa não tem funcionário efetivo. A Câmara de Magé tem o menor número: média de 3,4 nomeados por integrante e nenhum em atividade fim

Dispendiosas e pouco produtivas, segundo avaliação de lideranças dos 13 municípios que formam a região, as câmaras de vereadores da Baixada Fluminense vão ter de se enquadrar. Esforços nesse sentido estão sendo concentrados pelo Tribunal de Contas do Estado e pelo Ministério Público, que querem acabar com a farra dos cargos comissionados verificada em algumas delas; com o disparate das viagens para supostas participações em congressos, quase sempre realizados em cidades do litoral do Norte e Nordeste; com o pagamento de diárias não justificadas e as gratificações de até 100% sobre os salários de assessores, além do descontrole sobre a frequência dos nomeados nos cargos de confiança. Segundo levantamento do TCE, só na Câmara de Duque de Caxias são 586 comissionados, uma média de 20,2 nomeados por cada um dos 29 membros da Casa, que em 2013 custou mais de R$ 50 milhões.

Presidente da Câmara prepara novas ações para assumir o Poder Executivo

Duas vezes derrotado na Justiça em sua tentativa de assumir um cargo eletivo para o qual não concorreu nas urnas, o presidente da Câmara de Vereadores de Seropédica, município da Baixada Fluminense, Wagner Vinícius de Oliveira, o Waguinho do Emiliano (PRB) estaria preparando - com apoio de um grupo formado por membros da Câmara e pessoas de fora do município - novas ações para tomar o governo. Informações de fonte ligada ao grupo dão conta de que duas novas comissões processantes deverão ser formadas contra o prefeito Alcir Martinazzo (reeleito pelo PSB e atualmente sem partido) para apurar supostas irregularidades na aplicação de recursos destinados aos setores de Saúde e Educação, já com o resultado final definido, independente do que for comprovado: a cassação.

Emitindo licenciamento ambiental para empreendimentos de pequeno e médio portes, além de poder fiscalizar com mais autoridade

Depois de mais de duas décadas de espera o município de Magé ganhou autonomia para gerir seus recursos naturais, controlar as ações de fiscalização e conceder licenciamento ambiental em conformidade com a legislação local para empreendimentos listados como de pequeno e médio portes poluidor. Antes esses procedimentos só poderiam ser feitos pelo governo do estado, através do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o que, além de dificultar a instalação de empresas no território mageense, inibia as ações fiscalizadoras, pois muitas empresas com potencial de poluição instaladas na cidade não reconheciam a fiscalização local e derrubavam na Justiça as sanções aplicadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.