Os elevadores para cadeirantes instalados nos ônibus da São Miguel estão sempre enguiçados. Os transtornos causados são muitos, coisa que a fiscalização míope da Prefeitura não vê

São Miguel volta a constranger cadeirante em Resende.  Moradores suspeitam que blitz da Prefeitura é só um jogo de cena do poder concedente

O dia das mães terminou em frustração para uma cadeirante de Resende, no Sul Fluminense, que pretendia utilizar o transporte público como parte de um passeio de domingo. Após tentar embarcar sem sucesso em quatro veículos da São Miguel, cujos elevadores de acesso não funcionam, a moradora acabou desistindo e retornando para casa. O episódio voltou a causar revolta na população, já que a concessionária insiste em violar o direito de ir e vir dos cadeirantes e o poder público municipal teima em fazer vista grossa para o caos que se transformou o transporte público coletivo.  O problema atinge em cheio o prefeito Diogo Balieiro Diniz, eleito no ano passado com a promessa de que reduziria para R$ 2,40 o valor da tarifa e abriria um processo licitatório para a implantação de uma empresa concorrente, já que a São Miguel detém há 17 anos o monopólio do transporte coletivo e presta um péssimo serviço à população.

Depois de assumir o governo Diogo mudou o discurso e já não fala em colocar outra empresa para acabar com o reinado da São Miguel. Em vez disso, o prefeito estabeleceu uma espécie de “renovação parcelada” da frota da concessionária, que agora tem até 2020, último ano de contrato, para completar a troca de suas latas velhas. A ampliação do prazo para muitos soa como uma estratégia do prefeito de acalmar os ânimos da população e facilitar por mais 20 anos o contrato com a proprietária da frota de sucatas.

No último dia 5 a Prefeitura anunciou o recolhimento de dois ônibus da empresa durante uma blitz surpresa, o que chegou a ser comemorado por boa parte da população. A ação foi uma resposta a um vídeo postado nas redes sociais em que uma cadeirante precisou ser carregada nos braços de sua acompanhante justamente por causa da inoperância do elevador de acesso às cadeiras de rodas. Mas o episódio parece não ter sido suficiente para que o prefeito retomasse sua promessa de campanha de abrir concorrência no transporte coletivo. Distante disso, Diogo não compareceu à audiência pública promovida pela Câmara para debater o caos no transporte e acabou trocando o discurso de enfrentamento por um pedido de instalação de internet sem fio, wi-fi, nos ônibus da São Miguel, segundo informou o sócio-diretor da empresa, João Duarte, que compareceu ao debate.

Na ocasião, o mandachuva da São Miguel ficou mudo ao ser questionado sobre a obscuridade dos balanços patrimoniais da empresa, que legalmente deveriam ser entregues ao Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (Comutran).  O sócio-diretor rasgou o verbo ao dizer que a São Miguel não colocará ônibus com ar condicionado sem aumentar o valor da tarifa, que hoje custa salgados R$3,60. João Duarte ainda chamou os cobradores de obsoletos ao compará-los às maquinas de datilografia.

 

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