Prefeitura teve tempo de sobra para contratar transporte e o fornecimento de alimentos, mas não o fez. Estudantes agora sofrem as conseqüências de uma gestão desastrosa

 

Os contratos para fornecimento de merenda para a rede de ensino de Japeri e transporte dos alunos geram uma despesa estimada em R$ 17,5 milhões para este ano. Dinheiro para isso tem, porque o governo federal se encarrega dos repasses e os fazem sem atraso. A questão é a falta de planejamento da administração municipal, que desde fevereiro de 2018 vem sendo informada sobre problemas com os contratos firmados para esses objetos e em vez de preparar novos processos licitatórios ficou enrolando. O resultado não poderia ser outro: as aulas recomeçaram ontem (11) e  faltaram professores, merenda e não teve ônibus escolar...

Há mais de seis meses no cargo, o prefeito Cezar Melo já entrou sabendo que o Tribunal de Contas do Estado estava passando um pente fino nos contratos com as empresas CW Carvalho, DN Grill e JL Transportes, que começaram a atuar junto a Prefeitura em fevereiro de 2017, fornecendo gêneros alimentícios e ônibus escolares. O TCE apontou superfaturamento em dois contratos emergenciais com as duas primeiras e várias irregularidades no contrato dos ônibus, uma frota velha e irregular, mas a Prefeitura esperou encerrar 2018, passar janeiro, para só então anunciar a licitação da merenda, que está marcada para o dia 21 desde mês. O aviso foi publicado no boletim oficial de sexta-feira (8) e o edital só foi disponibilizado no Portal da Transparência ontem, depois que o elizeupires.com veiculou a matéria Nova licitação da merenda já começa com falta de transparência em Japeri: edital não está disponível no site oficial do município.

De acordo com o edital, a Prefeitura estimou o gasto com merenda escolar este ano em R$ 14,5 milhões.

As aulas deveriam ter sido iniciadas na semana passada, com os alunos retornando no dia 4 às escolas, quando seria lançado pelo município o projeto "Novos Olhares em Busca de uma Educação de Excelência", preparado pela secretária Roberta Bailune, para, segundo ela, além do acolher os alunos, garantir integração, socialização e também “um tempo específico, em cada dia da semana, para que os professores possam planejar, refletir sobre as propostas curriculares, o projeto político pedagógico e demais itens visando o desenvolvimento de ações eficazes”, mas, pelo visto, os outros setores do governo não acompanharam a proposta, pois ontem não teve ônibus, merenda nem professor.

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