Prefeito distribui sorrisos enquanto ações de sua gestão atingem os mais fragilizados

 

Constrangimento, revolta, impotência, humilhação... É difícil definir com uma só palavra a ação de fiscais de postura e da Guarda Municipal de Resende na última semana ao "confiscarem" as goiabas de um vendedor de frutas no bairro Campos Elíseos, mesmo com os apelos do idoso, que justificou sua atividade comercial como forma de obter recursos para comprar remédios, os quais, segundo ele não são distribuídos pela Prefeitura.

E se o orçamento dos moradores de Resende já estava apertado, ficou mais achatado ainda desde o começo de 2018, depois que o prefeito Diogo Balieiro Diniz mandou para Câmara, no apagar das luzes de 2017, um projeto de lei aumentando a contribuição de Iluminação pública (CIP) em percentuais que variam entre 7% e 170%. A escassez que atinge o bolso também dói no corpo, já que a falta de médicos é um problema sério nas unidades de saúde, embora o prefeito pareça estar mais preocupado em pintá-las de azul.

Enquanto isso, o governante parece encampar uma política considerada populista, que tenta ofuscar a realidade da cidade. A presença do prefeito é cada vez mais frequente em cultos religiosos, festas de aniversário, jogos de futebol e até em velórios. O que quase sempre rende uma enxurrada de fotos nas redes sociais.

Sem políticas públicas – Desprovidos de uma política pública que regularize e incentive suas atividades, os comerciantes informais tentam  chamar a atenção do prefeito desde o início de seu mandato. Um problema que, segundo eles, não estaria afetando a todos, visto que alguns vendedores informais seriam pessoas ligadas a políticos aliados do prefeito e que contariam com a "vista grossa" do poder público municipal.

Por falar nisso, as concessionárias Água das Agulhas Negras, que explora os serviços de água e esgoto, e São Miguel, responsável pelo transporte coletivo, operam serviços considerados ruins por uma grande parcela da população, mas não costumam ser incomodadas pela fiscalização míope da administração local.

Recentemente um morador postou uma conta de luz referente ao mês de março deste ano e precisou desembolsar R$ 37,51 para custear a CIP, da prefeitura, valor que representava uma fatia de 42,53% em relação ao R$ 88,18 de energia elétrica consumida e 29,84% em relação ao valor total.

A falta de atendimento médico atinge em cheio postos como o do Bairro Baixada da Olaria, segundo os moradores, que postam frequentemente imagens das filas intermináveis na porta da unidade de saúde. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade Alegria, o problema seria durante as trocas de plantão. Mas há reclamações inclusive de falta de pilhas em equipamentos médicos no Hospital Municipal de Emergência Henrique Sérgio Gregori. Enquanto isso, Resende parece ser duas cidades completamente distintas: na Resende do prefeito parece estar tudo azul enquanto na Resende de uma grande parcela da população, a coisa parece estar cinzenta.

 

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Comentários  

0 #1 Bruno richard 17-04-2019 08:16
Concordo com o que aqui foi dito, apenas reitero que a guarda é um órgão destinado a proteção municipal tanto de prédios públicos, logradouros quanto dos próprios munícipes, a guarda agiu a pedido da fiscalização de posturas, cumpriu-se o dever, sob risco de prevaricação caso não agisse, se fosse uma fiscalização do Estado a PM teria agido da mesma forma, é maldosa essa reportagem com a guarda municipal que já vem sofrendo há anos com o descaso por parte de prefeitos e vereadores. Eu gostaria de ver uma notícia mas bem colocada e justa com a guarda municipal. No demais eu concordo em casa vírgula.
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