Em abril a empresa Nutriplus completou um ano de seu novo contrato com a Prefeitura de Resende, para fornecimento de merenda aos quase 15 mil alunos da rede municipal de ensino. O gasto com a terceirizada "engordou" aproximadamente R$ 2,2 milhões já no segundo ano do governo do prefeito Diogo Balieiro Diniz.

O valor correspondente ao aumento no contrato daria para erguer uma creche por ano com capacidade para atender 150 crianças cada uma delas, já que a falta de vagas em creche é uma das principais reivindicações de mães que precisam trabalhar e não têm com quem deixar suas crianças.

Por outro lado, a manutenção de contratos milionários coloca mais uma vez na berlinda a gestão de Balieiro, que para uma grande parcela da população estaria fazendo um governo de aparências e de cunho populista, voltado ao marketing pessoal do político, em detrimento de diversos problemas que poderiam estar recebendo investimentos do poder público, como a construção de creches, por exemplo, substituídas em diversos casos por containers que inclusive já sofreram com incêndio, como o caso recente da creche do bairro Morada do Contorno, o que poderia ter resultado em uma tragédia.

Até a assinatura do atual contrato, a Nutriplus era mantida por contratos emergenciais, sendo que o último deles foi homologado em janeiro de 2018, no valor global de R$ 3,9 milhões por um período de seis meses, o que proporcionalmente equivalia a R$ 7,8 milhões por ano. No entanto, em abril de 2018 a empresa do interior paulista saiu vencedora do processo licitatório 57/2017 com uma proposta no valor de R$ 10.086.209,84.

O valor médio de uma creche varia entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões, sem contar o valor do terreno. É o caso, por exemplo, da cidade de Birigui, no interior de São Paulo, que anunciou em julho do ano passado um investimento de R$ 1,5 milhão para a construção de uma creche, que irá receber 150 crianças na faixa etária de zero a três anos. Segundo a prefeitura da cidade paulista, a nova creche terá 813,78 metros quadrados de área construída e contará com seis salas pedagógicas, berçário, fraldário, lactário, refeitório, secretaria, banheiros e área de serviço. 

Em 2009, a Nutriplus chegou a ser citada no escândalo da merenda escolar em São Paulo, mas acabou absolvida das denúncias apresentadas pela Promotoria de Justiça contra a chamada "Máfia da Merenda". De acordo com o Ministério Público paulista, um esquema criminoso teria sido iniciado em 2001 e durante mais de uma década um grupo de empresas teria participado de um cartel que combinava preços das licitações elevando em pelo menos 30% os custos das prefeituras.

Além da Nutriplus, foram denunciadas as empresas SP Alimentação, Geraldo J Coan & Cia, Sistal Alimentação de Coletividade, EB Alimentação e Serviços, De Nadai Alimentação e Convida Alimentação.

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