E também material escolar. Ao todo foram gastos mais de R$ 4,5 milhões em duas firmas do Sul Fluminense, que disponibilizam o mesmo número de telefone em site sobre CNPJs

Localizada na Rua Coronel Manoel Bernardes, 115, em Paty do Alferes, a empresa VER 55 Comércio e Serviços não é uma indústria de roupas, muito menos de sapatos, tênis ou meias. Pelo menos é isso que revela seu cadastro na Receita Federal, onde registrou como atividade econômica principal o “comércio atacadista de equipamentos de informática”. Entretanto a empresa vendeu uniformes escolares, milhares de pares de tênis e meias para a Prefeitura de Guapimirim pelo total de mais de R$ 2,8 milhões, fornecimento contratado através de processo licitatório dividido em lotes e que, de acordo com representantes de algumas empresas interessadas no negócio, não teria sido muito divulgado.

E administração municipal mão está nem aí

Moradores da Travessa Maurílio, no bairro Rancho Novo, em Nova Iguaçu, estão convivendo com um antigo problema de saneamento básico na região. É que uma ponte sobre a Rua Dona Eulália está obstruindo o fluxo d’água e transformou o que deveria ser um rio numa enorme piscina de esgoto. Os moradores dizem que não sabem mais a quem pedir socorro, já que a secretária de Obras, Carla Maria Lopes Neves, esteve no local mais de 10 vezes e prometeu uma solução, mas até hoje nada fez. Contam ainda que o prefeito Nelson Bornier esteve por lá em novembro do ano passado e também garantiu que o problema seria solucionado, mas já se passaram sete meses e a população continua convivendo com a proliferação de roedores e insetos, como o mosquito aedes aegypti, que já vitimou diversos moradores da região.

Pelo valor do edital a Prefeitura pagaria mais de R$ 440 mil por cada um dos seis ônibus locados (Fotos;Divulgação/PMPR)

Distâncias pequenas a preço de longas viagens

O município de Porto Real, no Sul Fluminense, está a 42 quilômetros de Volta Redonda, percurso que pode ser percorrido em até 40 minutos em ônibus direto; a 24,2 de Barra Mansa e a 21,2 da cidade de Resende, mas as viagens feitas pelos ônibus que transportam estudantes universitários matriculados em instituições localizadas nessas três cidades estão custando caro aos contribuintes portorealenses. Pelo menos foi a esta conclusão que o Tribunal de Contas do Estado chegou, apontando preço acima do praticado no mercado. Tanto é assim que a corte de contas do estado do Rio de Janeiro suspendeu o edital de licitação para a contratação do serviço, no valor total de mais de R$ 2,6 milhões, no período de um ano, muito dinheiro por seis ônibus e para o transporte de cerca de 200 pessoas por dia.

Prefeitura paga caro pela coleta, mas o serviço pesado é feito por "sucatas" que já deveriam ter sido descartadas há muito tempo, mas circulam livremente pelas ruas da cidade

Um contrato com a empresa Green Life Execução de Projetos Ambientais para a coleta do lixo em Nova Iguaçu (firmado em novembro de 2013), no valor inicial de R$ 18 milhões, beira hoje a casa dos R$ 40 milhões, mas, além do serviço precário, o que mais se vê nas ruas são velhos caminhões caçambas em um vai e vem constante entre o centro da cidade e a Central de Tratamento de Resíduos, localizada no bairro Adrianópolis. Enquanto a empresa fatura, o serviço pesado fica por conta dos ferros velhos ambulantes, montes de ferrugem sobre pneus "carecas", a maior parte com documentação vencida há muito tempo, até porque os veículos não conseguiriam passar pela vistoria do Detran no estado em que estão. As sucatas alugadas pelo município são registradas em nome de particulares e constam como à serviço da Empresa Municipal de Limpeza Urbana (responsável pela contratação e fiscalização do serviço) e da Companhia de Desenvolvimento de Nova Iguaçu (Codeni). Quanto elas custam e por que estão circulando quando deveriam ter sido jogadas no lixo, são respostas que a administração municipal precisa dar.

Ralo do dinheiro público, Emlurb tem 18 meses para se adequar

Apontada como um ralo pelo qual o dinheiro público escoa livremente em Nova Iguaçu, com contratos de terceirização de serviços que ela mesma deveria prestar, a Empresa Municipal de Limpeza Urbana (Emlurb) não poderá mais usar desse meio e terá de assumir a limpeza pública e, inclusive, cuidar do Centro de Tratamento de Resíduos (CTR), de Adrianópolis, explorado pela empresa Haztec em concessão dada pela Prefeitura de Nova Iguaçu, na segunda gestão do prefeito Nelson Bornier. De acordo com estimativas, nos últimos 12 anos a Emlurb já gastou mais de R$ 700 milhões terceirizando os serviços que ela mesma deveria prestar, o que, se acontecesse, resultariam gastos muitos menores.