Prefeitura paga caro pela coleta, mas o serviço pesado é feito por "sucatas" que já deveriam ter sido descartadas há muito tempo, mas circulam livremente pelas ruas da cidade

Um contrato com a empresa Green Life Execução de Projetos Ambientais para a coleta do lixo em Nova Iguaçu (firmado em novembro de 2013), no valor inicial de R$ 18 milhões, beira hoje a casa dos R$ 40 milhões, mas, além do serviço precário, o que mais se vê nas ruas são velhos caminhões caçambas em um vai e vem constante entre o centro da cidade e a Central de Tratamento de Resíduos, localizada no bairro Adrianópolis. Enquanto a empresa fatura, o serviço pesado fica por conta dos ferros velhos ambulantes, montes de ferrugem sobre pneus "carecas", a maior parte com documentação vencida há muito tempo, até porque os veículos não conseguiriam passar pela vistoria do Detran no estado em que estão. As sucatas alugadas pelo município são registradas em nome de particulares e constam como à serviço da Empresa Municipal de Limpeza Urbana (responsável pela contratação e fiscalização do serviço) e da Companhia de Desenvolvimento de Nova Iguaçu (Codeni). Quanto elas custam e por que estão circulando quando deveriam ter sido jogadas no lixo, são respostas que a administração municipal precisa dar.

Ralo do dinheiro público, Emlurb tem 18 meses para se adequar

Apontada como um ralo pelo qual o dinheiro público escoa livremente em Nova Iguaçu, com contratos de terceirização de serviços que ela mesma deveria prestar, a Empresa Municipal de Limpeza Urbana (Emlurb) não poderá mais usar desse meio e terá de assumir a limpeza pública e, inclusive, cuidar do Centro de Tratamento de Resíduos (CTR), de Adrianópolis, explorado pela empresa Haztec em concessão dada pela Prefeitura de Nova Iguaçu, na segunda gestão do prefeito Nelson Bornier. De acordo com estimativas, nos últimos 12 anos a Emlurb já gastou mais de R$ 700 milhões terceirizando os serviços que ela mesma deveria prestar, o que, se acontecesse, resultariam gastos muitos menores.

O prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Bornier, divulgou ontem os números exatos do rombo deixado pela ex-prefeita Sheila Gama (PDT), dívidas quase que impagáveis. O calote contra as unidades conveniadas, por exemplo, é um caso de polícia: passa de R$ 33 milhões e não deveria existir, pois os recursos para esse pagamento chega todos os meses e não podem ter outra finalidade. A ex-prefeita vai ter de explicar onde aplicou o dinheiro que o Ministério da Saúde manda para cobrir os gastos com essas unidades de saúde que prestam serviços através do SUS.