(Em memória de Neuza Pires de Souza Gomes)

 

A minha cidade tinha dois serviços de alto-falante. Eram as difusoras locais. Um era mantido pela Matriz de Santo Antonio, e o outro pela Legião da Boa Vontade. Do primeiro eu não gostava nem um pouco. É porque nos finais de tarde, na hora da transmissão da Ave Maria, era despertado para uma realidade que muito me angustiava. O segundo tocava os sucessos musicais da época. Todos os dias ouvia Ângela Maria cantando "Cinderela" e eu viajava escutando a canção... Também tinha o Ataulfo Alves, filho ilustre do "Pequenino Mirai", entoando uma homenagem a seu berço.

(Uma reflexão de Natal)

 

"O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você". O poeta Mário Quintana assim nos leva a uma reflexão sobre o ser humano. No mesmo texto ele enfatiza que "as pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as delas". Concordo com ele e ouso dizer que se buscarmos ser nós por nós mesmos e não para nos bastar a alguém, descobriremos ao nosso lado as pessoas que há tanto esperávamos. Falo isto no sentido de vivermos o real e dentro da realidade cuidarmos do nosso jardim interior, para que ele floresça ao ponto de atrair as borboletas dos nossos sonhos.

Uma reflexão de ano novo

"O homem, meu general, é muito útil. Sabe voar e sabe matar, mas tem um defeito: sabe pensar." O trecho de um poema do dramaturgo, poeta e encenador alemão Eugen Bertholt Friedrich Brecht, ecoa como conselho aos que ainda ousam tratar o ser humano como máquina. Máquina de trabalhar... de votar, por exemplo; escravo do estado, esse sim, um engenho emperrado, mas sempre pronto para consumir o que a máquina-homem produz. Pois é, está na hora de o homem expor esse seu defeito formidável, exercitando o pensar de forma ampla, geral e irrestrita, mostrando-se com toda a sua capacidade de agir em favor do bem comum...

Uma reflexão de Natal

"As pessoas são tão felizes quanto decidem ser". A frase do 16º presidente norte-americano, Abraham Lincoln, pode ser interpretada de várias maneiras, mas a mim diz, diretamente, que somos os únicos responsáveis por nossa felicidade. A felicidade habita a alma daquele que vive em paz consigo mesmo, do que luta as suas próprias batalhas; do que cai, levanta-se e continua caminhando em direção ao destino escolhido; do que vê o seu igual como igual, mesmo que esse possa parecer a alguém, de alguma forma, diferente... 

(Das deusas de nossas ruas)

Toda rua tem uma deusa. Pode não ser a mais bonita do bairro, mas com certeza, daquele nosso universo particular - a rua onde crescemos em meio aos sonhos e uma realidade de brincadeiras -, é a mais bela. A deusa da minha rua tinha nome de santa, Clara. Estudávamos juntos, brincávamos juntos e juntos também sonhávamos, mas o tempo que possibilita a realização de sonhos é o mesmo que separa pessoas, fazendo-as dobrar outras esquinas e desaparecerem vida a fora... Clara tinha um lindo par de olhos azuis e cabelos loiros, naturalmente platinados. Era um sonho e foi, por alguns bons anos, uma gostosa realidade em minha vida...