“Ouvindo, ao longe, o teu magoado som, água corrente! eu me enterneço e tenho uma imensa vontade de ser bom...” Acordei tarde hoje. A matéria que entrou às 8h desse domingo e obteve 713 acessos diretos até agora, foi programada antes de eu ir para a cama, exausto por conta de um sábado inteiro de trabalho e de algumas horas de lazer à noite. O engraçado é que acordei com o soneto “Água corrente”, de Olegário Mariano, ecoando em minha alma. Não sei a razão disso, mas a última parte dessa obra, as linhas que abrem esse despretensioso texto, continua martelando aqui na minha cabeça e por isso quero compartilhar com vocês, convidando-os a uma reflexão, o poema escrito em 1917.

Broa tem 17 anos e batalha por seus sonhos desde os 12. Desconheço a razão do apelido, mas sei que Jhonatan de Souza olha para frente como quem sabe o que quer da vida... Dá duro o dia inteiro lá no Edcar - é o meu lavador preferido - e à noite vai para a escola pública buscar o futuro nos livros e nos ensinamentos dos professores do nível médio. Jomar tem 39 anos e há 15 me abastece o carro. Seu filho de 19 com ele trabalha no mesmo Posto BR e à noite vai à faculdade por dias melhores. Germano já passou dos 70. Está aposentado e a Previdência Social lhe paga R$ 900 por mês. É na entrega de jornais em domicílios que ele completa a renda familiar. O reforço na receita é necessário para pagar os estudos da neta Thamara, seu xodó.

“Você está se transformando em ditador. Onde está a liberdade de expressão?” Fui indagado insistentemente durante a semana por aqueles que se escondem no anonimato ou em perfis falsos para enviarem um monte de mensagens atacando a honra, falando de vida pessoal e fazendo acusações improváveis, sem dar a menor sustentação para que possamos basear um trabalho de apuração visando uma matéria futura. Fazem isso e ficam furiosos porque aqui não encontram o eco pretendido. Também existem os que adoram ignorar o contexto da matéria para desviar o debate e ficam fulos de raiva, porque temos regras e não aceitamos comentários fora do assunto em pauta. Falam de censura, invocam a Constituição, mas sequer sabem do que estão dizendo quando clamam por liberdade de expressão, coisa que, invariavelmente, confundem com irresponsabilidade. Quem nos acompanha sabe muito bem que aceitamos comentários anônimos sim, mas esses precisam estar dentro do contexto, pois se o assunto é uva a jabuticaba não tem que entrar na história. Se isso acontecer muda-se o foco e o debate fica comprometido.

“Tão pobres somos que as mesmas palavras nos servem para exprimir a mentira e a verdade”. O que o pensamento da poetisa portuguesa Flor Bela de Alma da Conceição Espanca (seu nome de batismo) tem a ver com o assunto sobre o qual vou convidá-los a refletir agora? Muito, pois há alguns dias surgiu nos corredores do poder em Magé (terra do “ouvi dizer”, do “andam dizendo por ai” e do “estou sabendo que...”) um boato covarde e absurdo que poderia ter destruído a vida de um respeitável senhor, homem de integridade impar e demolido o que uma jovem dedicada a seu trabalho vem buscando construir.

“As mais altas árvores são oriundas de minúsculas sementes”. Essa frase do médium Chico Xavier tem muito a ver com o assunto sobre o qual vou convidá-los a refletir nesse momento. As grandes coisas, as causas mais nobres, as maiores vitórias partem sempre de um pequeno gesto, de uma ação mais simples. Alguém, por menor que se imagina, fez lá atrás a sua parte. Despretensiosamente plantou sua sementinha e a árvore se fez frondosa, concretizando um grande resultado a partir de um gesto tão simples. É sobre isso que gostaria que refletíssemos hoje.