É incrível, mas toda e qualquer noticia que veiculamos sobre assuntos relativos a educação de Magé o espaço destinado a comentários se transforma em um campo de batalha, com concursados e contratados se digladiando como se ferozes inimigos fossem. Que coisa feia, gente! Estão todos no mesmo barco e, tirando o regime jurídico que os separam, são todos iguais. Exercem a mesma função, trabalham na mesma rede de ensino, tem a mesma carga horária e lecionam as mesmas matérias. Além do mais, eu não posso me julgar melhor que o meu vizinho só porque o meu emprego é mais garantido que o dele.

A semana que passou foi de grande aprendizado para mim. Descobri que uma parcela do público, ainda que pequena, só gosta do meu trabalho se o texto não lhe mostrar a verdade da qual não quer saber. Isso me fez perceber um certo indiferentismo moral, quando eu pensava tratar apenas do indiferentismo intelectual. Dói em mim dizer isso. Acreditem. Não há nenhuma satisfação em mim no momento em que escrevo esse artigo e os convido a refletir sobre isso, mas preciso fazê-lo, dividir essa preocupação com as milhares de pessoas que me acessam diariamente e acompanham o meu trabalho de uma forma tão participativa que me faz íntimo de todos vocês. Essa reflexão, meus amigos, os remeterá a um assunto que está me cansando e talvez a todos: o polêmico concurso realizado pela Prefeitura de Guapimirim em 2001.

A minha cidade tinha dois serviços de alto-falante. Eram as difusoras locais. Um era mantido pela Matriz de Santo Antonio e o outro pela Legião da Boa Vontade. Do primeiro eu não gostava nem um pouco. É porque nos finais de tarde, na hora da transmissão da Ave Maria, era despertado para uma realidade que muito me angustiava. O segundo tocava os sucessos musicais da época. Todos os dias ouvia Ângela Maria cantando “Cinderela” e eu viajava escutando a canção. Também tinha o Ataulfo Alves, filho ilustre do “Pequenino Mirai”, cantando uma homenagem a seu berço.

Um dia imaginei ser o mundo um simples fundo de quintal e, mais ainda, todinho meu. Sentia-me um “rei” e “reinava” no pomar da Fazenda União - na zona rural de Mirai, lá nas Minas Gerais -, quando passava alguns dias com meus avós maternos, Maria e Isidro Gomes Monteiro.

Não sei quantos habitantes haviam em Mirai durante a minha infância, mas uma coisa era certa, todos - não importa se criança ou velho - tínhamos um “afilhado” em comum: Joventino, um inocente que a todos saudava com um “bença, padim!” Quando eu contava seis ou sete anos de idade, Joventino já passava dos trinta, mas eu também era chamado de “padim” e sustentava longos diálogos com o “afilhado” que pedia bençãos a todos nós.