Isso é o percentual máximo de aumento que o prefeito prende oferecer

O clima anda pesado entre o prefeito de Resende Diogo Balieiro Diniz (foto) e os servidores do quadro efetivo da administração municipal, o que fortaleceu nos últimos dias a corrente favorável a um possível movimento de paralisação e fez ascender o sinal de alerta no governo e Balieiro parece ter recuado de sua decisão de não conceder reajuste salarial este ano, já admitindo tentar acalmar os ânimos dos concursados com um percentual entre 3 e 4% de reajuste salarial, segundo uma fonte do governo. O prefeito teria entendido o recado dos funcionários que não aderiram à Festa do Trabalhador promovida no dia 1º de maio, evento que acabou se transformando em uma espécie de confraternização dos ocupantes de cargos comissionados que não podem deixar de “prestigiar” os eventos da Prefeitura.

Além de servir como via de protesto indireto para os servidores, a Festa do Trabalhador poderá ainda render uma investigação do Ministério Público para apurar os “padrinhos” da Prefeitura, que segundo declarações de integrantes do próprio governo teriam custeado as duas bandas que se apresentaram durante o evento. 

Eleito em 2016 prometendo o céu para os concursados, Diogo deu uma canetada logo nos primeiros dias de seu mandato, assinando um decreto que colocou na geladeira por dois anos as gratificações estatutárias que poderiam melhorar os ganhos salariais de servidores efetivos. Outra nuvem que paira sobre o prefeito é a convocação dos cerca de 350 profissionais de natureza permanente, que foram aprovados através do concurso previsto pelo Edital 003/2016. O caso inclusive é alvo de uma investigação do Ministério Público que tenta apurar Diogo estaria lançando mão de cargos comissionados, nomeados por ele, para atuarem nas funções que já deveriam estar ocupadas pelos candidatos aprovados no concurso, o que explicaria o fato de algumas categorias estarem sendo ignoradas no que diz respeito à convocação.

 Em outra frente, o MP apura denúncia de “furada de fila”, uma vez que pelo menos duas psicólogas que ficaram no fim da fila de classificação já estariam trabalhando. Uma delas, a que em 399º lugar no concurso foi nomeada para um cargo índice CC3 na Secretaria de Saúde e a 287ª classificada em um cargo CC1, na Secretaria de Serviços Públicos. Os denunciantes revelam ainda que para a área de Farmácia o concurso ofereceu seis vagas e o prefeito já contratou oito profissionais e entre eles há também quem não se classificou dentro do numero de vagas e até quem nem do concurso participou.

No dia 6 de abril foi publicado um edital relâmpago estabelecendo pouco mais de 24 horas como prazo de inscrição. Neste caso, o concurso seria para a contratação por um ano dos profissionais responsáveis pela continuidade do atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade da Alegria, cuja atividade passou a ser municipalizada. O edital relâmpago foi visto como um jogo de cartas marcadas, como objetivo apenas de oficializar a contratação de profissionais que já teriam escolhidos pelo governo, episódio que também causou revolta na cidade. Diante da repercussão, o prazo acabou sendo estendido por mais 11 dias.

 

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