Serviço de coleta estaria custando 20% mais que o valor do serviço contratado. Este ano a empresa responsável já recebeu mais de R$ 24 milhões

Do dia 2 de janeiro até 30 de junho a Prefeitura de Nova Iguaçu, através da Empresa Municipal de Limpeza Urbana (Emlurb), fez 12 pagamentos à Green Life Execução de Projetos Ambientais, no total de mais de R$ 24 milhões, o que, a continuar esse ritmo, vai elevar um contrato que até 2016 chegava a R$ 39 milhões, para R$ 48 milhões até dezembro.  Essa empresa começou a fazer a coleta de lixo na cidade no segundo mandato do prefeito Lindberg Farias, época em que indicados pelo hoje prefeito, Rogério Lisboa e pelo ex-vereador Antonio Araujo Ferreira, o Tuninho da Padaria, controlavam a Emlurb. A Green Life foi contratada sem licitação para substituir a Serv Flu - que entrou em dificuldades financeiras por conta da retenção de pagamentos, o que, na época, foi considerado como manobra para gerar uma dispensa de licitação - e, segundo fontes do próprio, estaria recebendo hoje pelo menos 20% acima do valor real do serviço contratado.

O primeiro pagamento feito na gestão de Rogério Lisboa à Green Life aconteceu no dia 2 de janeiro, quando foi paga uma fatura de R$ 200.438,25, resíduo de dezembro de 2016. No mês seguinte, no dia 6 foram pagos R$ 1.850.698,95 e no dia 23 mais R$ 3.176.661,49. Em março foram três pagamentos, sendo R$ 1.850.698,95 no dia 3, R$ 3.176.661,49 no dia 20 e mais R$ 3.176.661,49 no dia 30. Já em abril os pagamentos somaram cerca de R$ 5 milhões , R$ 1.850.698,96 no dia 5 e R$ 3.116.719,96 no dia 25, enquanto em maio foram pagas três notas nos valores de R$ 1.850.698,95, R$ 356.455,42 e R$ 2.820.206,06, quitadas nos dias 16 e 25. No mês passado foi paga apenas uma fatura de R$ 820.206,06, mas outro de pagamento de mais de R$ 3 milhões deverá a ser feito nos próximos dias.

O contrato sem licitação que abriu as portas para a Green Life em Nova Iguaçu é questionado até hoje na Justiça. Em setembro do ano passado a juíza Marianna Medina Teixeira, da 4ª Vara Cível chegou a decretar a indisponibilidade dos bens de Lindbergh Farias, mas a decisão que acolhia o pedido de medida cautelar em ação civil pública por improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público foi derrubada depois pelo desembargador Reinaldo Pinto Alberto Filho.

Segundo o MP denuncia no processo - no qual foram citados ainda Leandro Cruz Fróes da Silva (da Comissão de Licitação), Marcus Camargo Quintella (ex-presidente da Emlurb), as empresas Green, Lipa Serviços Gerais e VPAR- Locação de Mão de Obra e Serviços e seus gestores. De acordo com o Ministério Público, na gestão de Lindbergh foi montado um esquema de fraudes na Prefeitura de Nova Iguaçu para beneficiar empresas em processos licitatórios.

 

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