Luiz Eduardo é acusado de obrigar servidor fazer empréstimo e repassar o dinheiro a ele

O esquema criminoso envolvendo vereadores de Petrópolis e assessores nomeados por alguns deles descoberto pelo Ministério Público resultou em mais uma operação de busca e apreensão, desta vez contra o vereador Luiz Eduardo Francisco da Silva, o Dudu (foto). Agentes estiveram ontem na Câmara Municipal e na residência de Luiz, que foi denunciado por obrigar ocupantes de cargos comissionados a contratarem empréstimos consignados na Caixa Econômica Federal com descontos em folha de pagamento. Segundo apurou o MP, uma vez obtidos os empréstimos, os valores eram integralmente repassados ao vereador e os assessores arcavam com os descontos mensais nos contracheques. Ainda de acordo com a denúncia, essa era a condição imposta para que os comissionados fossem nomeados e quem não concordasse era exonerado.

Luiz Eduardo é o quarto denunciado pelo MP em situação semelhante. Antes dele foram enquadrados Osvaldo Fernandes do Vale, o Vadinho (PSB) e Sebastião da Silva, o Pastor Sebastião (PSC). Junto com Dudu foi indiciado o assessor Francisco de Assis Cabral da Ponte, o Chiquinho, que, segundo o Ministério Público, participou do esquema cobrando e recolhendo os valores de outros servidores para repassar ao vereador, que vai responder agora pelos crimes de corrupção passiva e concussão.

No caso de Vadinho,  a denúncia é de peculato, associação criminosa e concussão. Ele chegou a ser preso e autuado na 105ª DP como chefe de uma associação criminosa que nomeava assessores fantasmas para o seu gabinete, ficando com uma parte dos salários. Já Sebastião foi apontado como cabeça de um esquema que teria rendido mais de R$ 600 mil. Ele foi denunciado à Justiça pela Subprocuradoria-Geral de Justiça de Assuntos Criminais e de Direitos Humanos, junto com outros dois pastores, uma advogada e dois colaboradores.

Segundo o MP, de 2013 até 2016, Sebastião, o "por diversas vezes, em circunstâncias distintas, no exercício do mandato de vereador implementou um esquema criminoso à Câmara Municipal de Petrópolis", através do qual "condicionava a indicação para nomeação de determinados servidores comissionados e a manutenção em seus respectivos cargos, à obtenção, pelos nomeados, de empréstimos junto à Caixa Econômica Federal, e ainda, ao repasse mensal, para si, de parte da remuneração por eles recebida". Sustenta a promotoria na ação que "uma vez nomeados e lotados no gabinete do vereador, os servidores entregavam e ele os valores integrais dos empréstimos obtidos junto à Caixa Econômica" e que "dos contracheques dos servidores eram descontados repasses mensais ao pastor", descontos quer eram batizados como "dízimos" ou "contribuições".

 

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