Segundo as investigações, além das fraudes nas licitações há casos em que o produto vendido não era entregue

Esquema de licitações montadas e uso de 'laranjas' estão na mira das autoridades

Realizada na última sexta-feira pela Polícia Federal, em parceria com a Receita Federal, Controladoria-Geral da União e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, a Operação Inópia – que desmontou um cartel instalado em vários municípios fluminense na área de fornecimento de merenda escolar – está só na primeira fase. Na primeira foram cumpridos mandados de prisão temporária e 30 de busca e apreensão em endereços do Rio, Niterói e Duque de Caxias. Um dos prédios visitados é um condomínio na Barra da Tijuca, onde mora o empresário Antônio Carlos Monteiro, dono da Home Bread Indústria e Comércio, que vem sendo investigada há alguns anos pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público Federal. Em 2015 a Home Bread chegou a ser denunciada por supostas irregularidades no fornecimento em Mesquita, onde fora contratada na gestão do prefeito Gelsinho Guerreiro. A empresa, entretanto, não opera na administração do prefeito Jorge Miranda.

De acordo com as investigações que correm sob segredo de Justiça, o esquema articulado por uma grande sociedade empresarial envolvia firmas menores em uma organização formada para desviar recursos públicos em várias cidades, inclusive na Baixada Fluminense, onde boa parte dos contratos para merenda escolar começam com uma dispensa de licitação por emergência e depois acaba ampliado com a contratada vencendo um pregão presencial nem sempre realizado de forma transparente. Ainda segundo as investigações, foram identificados procedimentos licitatórios fraudulentos e constadas evidências de direcionamento das contratações, superfaturamento, corrupção e uso de 'laranjas'. 

Segundo o delegado Sandro Luiz do Valle Pereira, responsável pelo inquérito, a investigação começou há um ano, depois de um pedido encaminhado pelo MPF para apurar suspeitas de fraude em licitação de empresas que fornecem merenda escolar. "Em um ano de investigação, constatamos o desvio de mais de R$ 20 milhões dos cofres públicos, em contratos firmados principalmente com prefeituras da Baixada Fluminense", disse.

As pessoas presas na sexta-feira serão indiciadas por formação de cartel, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.  A Polícia Federal destaca que a primeira fase da operação focou na prisão dos empresários, mas a investigações continuam para apurar se há participação de políticos e de servidores no esquema de fraude.

Comentários  

+1 #1 Helio 09-10-2017 07:18
As sacanagens com a merenda escolar são antigas,
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0 #2 claudio 09-10-2017 08:43
Antigas, mas atualissimas. Se puxar o fio do novelo vão ver pra onde vai o fundeb e porque a educação vai tão mal em vários municípios.
Mas a culpa vai ser do mordomo que quer receber em dia.
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