Há mais de nove meses governando sob estado de emergência e reclamando muito da falta de repasses do governo estadual para o município, o prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PR), está experimentando do seu próprio veneno, pois a situação poderia estar menos complicada se ele, quando deputado estadual não tivesse inserido no projeto de lei que mudava as regras da renúncia de receita como incentivo fiscal, as emendas encomendadas para favorecer a empresa Braskem SA, braço petroquímico da Odebrecht. Nos últimos cinco anos a renúncia significou R$19,5 bilhões a menos nos cofres do estado. Em 2016, por exemplo, valendo-se das emendas de Rogério, a Braskem deixou de pagar R$42.150.391,00 em ICMS, segundo dados da Secretaria Estadual de Fazenda.

A encomenda de propostas de emendas modificativas e supressivas foi relatada pelo Ministério Público Federal no pedido de prisão preventiva dos deputados Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo, acusados de liderarem uma organização criminosa montada para receber propina de empresas de ônibus e empreiteiras, entre elas a Odebrecht, oferecendo em troca proteção aos interesses do grupo.

O nome do hoje prefeito de Nova Iguaçu não aparece no relatório do MPF relacionado a nenhuma quantia paga, mas os investigadores foram firmes no relato, afirmando e provando que as sugestões foram encaminhadas ao presidente da Alerj em um dia e no outro as emendas sugeridas foram apresentadas por Rogério Lisboa.

De acordo com o que foi apurado pelo MPF, no dia 17 de março de 2015 o executivo da Odebrech Benedito Junior recebeu do então vice-presidente de investimentos, Luciano Guidolin, um e-mail com os textos que deveriam ser alterados no Projeto de Lei 135/2015. Ele encaminhou a mensagem a Picciani e no dia seguinte as emendas foram apresentadas por Lisboa, que ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar