Antes de nomear o trio o prefeito Rogério Lisboa se reuniu com Leandro Weber e Matheus Neto (direita) e o próprio Matheus chegou a ser convidado para assumir o controle (Foto: Jornal O Tempo)

Grupo "importado" para controlar finanças da Saúde de Nova Iguaçu é visto na cidade como o terror dos donos das clínicas e laboratórios conveniados que prestam serviços ao município

Acostumados a lidar com "merreca" em Rio Bonito, onde o orçamento geral aprovado para este ano está estimado em R$ 180 milhões, três ex-membros da equipe do prefeito José Luiz Antunes, o Luiz Mandiocão, parecem estar deslumbrados com a "riqueza" de Nova Iguaçu, cidade da Baixada Fluminense, onde desembarcaram no ano passado e foram nomeados pelo prefeito Rogério Lisboa em cargos importantes no setor de Saúde, que tem um orçamento duas vezes maior que o de toda a administração municipal riobonitense. No ano passado, por exemplo, a dotação financeira do Fundo Municipal de Saúde foi de R$ 390 milhões.

A permanência do trio no governo já gerou muitos desgastes ao prefeito e ontem surgiu a informação de que o grupo, já mandando mais que o próprio secretário de Saúde Hildoberto Carneiro, estaria de olho agora no comando do Hospital da Posse, para qual já teriam um nome escolhido para substituir o atual diretor que, exatamente por ser rigoroso no trato com coisa pública e respeitado em sua área de atuação vem conseguindo descascar o "abacaxi".

 Administrado pelo trio – Isaias Class de Figueiredo, Leandro Weber e Glauco Moraes Azevedo – o Fundo Municipal de Saúde tem para este ano um orçamento de R$ 371 milhões, um pouco menos que o de 2017, é verdade, mas ainda assim supera em R$ 191 milhões o volume financeiro que o prefeito de Rio Bonito vai gerir durante todo o exercício de 2018. Isso estaria mexendo com a cabeça da turma, que é apontada em Nova Iguaçu como terror dos donos das clinicas e laboratórios que prestam serviços ao município. O esforço para assumir também o comando do maior hospital da região, conta uma fonte ligada ao setor, consistiria em derrubar o diretor geral da unidade, Joé Sestelo, porque esse foi encarregado pelo prefeito de negociar com os prestadores de serviços.

De acordo com a fonte, a marcação sobre Joé teria começado logo após uma reunião dos membros do Conselho Municipal de Saúde com os donos das unidades conveniadas, alguns deles há quase um ano sem receber as faturas cobradas pelos serviços prestados. A ira teria se dado pelo fato de Sestelo ter participado da reunião representando o prefeito e autorizado a informar aos credores que o pagamento começariam ser feito e a situação regularizada. Isso, segundo a fonte, bastou para alguns dos processos ficarem retidos.

República de Rio Bonito - Leandro Weber foi o primeiro chegar em Nova Iguaçu. Ele foi nomeado em abril para uma assessoria especial da Secretaria de Governo e aos poucos foi ganhando espaço. Isaias foi nomeado no dia 22 de julho no cargo de subsecretário de Gestão e Jurídica e Glauco, no mesmo dia, diretor do Fundo Municipal de Saúde, com sua portaria sendo publicada no dia 8 de agosto. Os três são do grupo do secretário de Saúde de Rio Bonito, Matheus Rodrigues da Costa Neto, que, inclusive, foi convidado a transferir-se para Nova Iguaçu.

A ligação do trio com Matheus Neto é antiga. Isaias foi secretário de Desenvolvimento Urbano de Rio Bonito e subsecretário de Obras em Silva Jardim e Leandro foi procurador em Rio Bonito e teve um cargo de assessor jurídico em Silva Jardim, enquanto Matheus chefiava a Secretaria de Planejamento. Já Glauco, como o elizeupires.com revelou ontem, foi presidente da Comissão de Licitação e secretário de Administração em Silva Jardim até ser afastado por decisão da Justiça em um processo por fraude em processo licitatório ajuizado pelo Ministério Público.

 

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