Um ano e dois meses após o elizeupres.com ter revelado que o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Belford Roxo (Previde) havia perdido dinheiro com investimentos de alto risco, aplicação de recursos do fundo de pensão do funcionalismo em "títulos podres", a Polícia Federal esteve na sede da instituição, dentro da Operação Encilhamento, deflagrada hoje (12) nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina e Goiás. A operação – autorizada pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que expediu 60 mandados de busca e apreensão e 20 de prisão temporária – é resultado de um inquérito que apura fraudes nas aplicações em debêntures sem lastro, emitidas por empresas de fachada. O rombo pode chegar a R$ 1,3 bilhão e as investigações, segundo a PF, identificaram 28 institutos de previdência municipais, entre eles o Previde e os de Angra dos Reis, Campos e Japeri.

Pelo que foi apurado até agora, os administradores criavam empresas de fachada e aplicavam o dinheiro das previdências municipais. Como essas empresas não possuíam capital, os trabalhadores ficavam no prejuízo com a falência das tais firmas. "Emitida a debênture pela empresa de fachada, entrava em cena um consultor de investimento, que se aproximava do instituto de previdência de alguma Prefeitura alegando rentabilidade maior dos seus recursos", explica o delegado Vitor Rodrigues Alves, chefe da Delegacia de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros da PF de SP. Segundo ele, "quando a instituição da previdência municipal passa a aplicar o dinheiro no fundo adquirido da empresa de fachada ou outros fundos, ocorre uma típica lavagem de dinheiro, que envolve a transação em várias camadas, dificultando o rastreamento dos valores".

Ainda de acordo com o delegado, "há o envolvimento de uma empresa de consultoria contratada pelos institutos de previdência e elementos que apontam para corrupção de servidores ligados a alguns institutos". Ao todo, até o momento, estão sendo investigados 13 fundos de investimento. No caso do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Belford Roxo, uma auditoria encomendada pelo então prefeito Denis Dauttmam e concluída em abril de 2016 pela empresa Mais Valia Consultoria de Investimentos, apontou que o município vinha fazendo negócios com fundos de "elevado risco", com "ausência de transparência, solvência, liquidez e análise prévia". Foi constatado que algumas aplicações ocorreram "em desacordo com a legislação", o que levou o Previde a perder o certificado de regularidade emitido pelo Ministério da Previdência Social.

A auditoria citou, por exemplo, que numa transação feita no dia 26 de fevereiro de 2010 entre o Previde e a corretora BNY Mellon Serviços Financeiros foram aplicados R$ 2,5 milhões em fundos de renda fixa da Coral FIDC Multisetorial, que em fevereiro de 2016 a tal aplicação estava valendo apenas R$ 379.305,10. O demonstrativo das aplicações e investimentos dos recursos da Secretaria de Políticas de Previdência Social relativo ao primeiro bimestre de 2016 apontou investimentos no total de R$ 69.277.268,41, feitos através de 18 operações do Previde com sete operadoras diferentes, todas realizadas em 2010, durante a gestão do prefeito Alcides Rolin, eleito pelo PT em 2008. Dessas operações financeiras, mostra a auditoria, oito foram feitas com a BNY Mellon, que está sendo investigada na Operação Lava Jato.

 

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Comentários  

+4 #1 observador 12-04-2018 18:23
E os aposentados do PREVIDE sem receber saldo de proventos de 2016 que foram parcelados e ainda nao quitados,e,prov entos de 2018 sem cronograma de pagamento.PARAB ENS GOVERNANTES!.
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