Se tivesse acontecido antes sobrinho da ex-prefeita poderia não ter sido reeleito

 

A prisão da ex-prefeita, Nubia Cozzolino, poderia ter causado um estrago danado na carreira política de um sobrinho dela, o deputado estadual Renato Cozzolino Harb (foto), reeleito no último domingo com 33.597 votos, 24.860 deles conseguidos em Magé. A avaliação é de gente próxima ao clã, que desde 2012 vem tentando – direta ou indiretamente – retomar o controle do município, do qual fora destronado em 2011 pela Justiça. Para alguns aliados, se a prisão tivesse ocorrido na semana passada, dificilmente Renato teria obtido votação suficiente para permanecer na Assembleia Legislativa, já que a tia tem sido sua maior cabo eleitoral desde 2014, quando ele ganhou o primeiro mandato.

Nubia foi presa ontem (10) quando prestava depoimento no Fórum de Magé, em um das dezenas de processos aos quais responde. Em alguns deles, segundo a denúncia do Ministério Público que resultou na prisão, foram encontrados indícios de falsificação de documentos e de assinaturas de juízes e promotores  de Justiça. Além de Núbia, a Vara Criminal de Magé determinou as prisões dos advogados José Marcos Motta Ramos, Michele Macedo de Luca Alves, Aidê Raquel da Mata Soares Pacheco e Bruno Augusto Duarte Lourenço, encarregados da defesa dela.

Batizada de Operação Resgate, a ação realizada ontem pelo Ministério Público, foi montada para prender a ex-prefeita e os advogados, sob a acusação de "organização criminosa, falsificação de documento público, uso de documento falso e ocultação de documentos públicos". Segundo a denúncia apresentada à Justiça, em junho de 2017 foi feito um levantamento na 1ª Vara Cível de Magé sobre as ações de improbidade administrativa que lá tramitam e foram enviados para análise do MP cerca de 110 processos. A promotoria então encontrou  indícios de fraude e falsificação em ações que tinham como réus, em sua maioria, integrantes e aliados políticos da família Cozzolino.

Ainda de acordo com o MP, os advogados denunciados "exerciam funções diversas como a retirada do cartório da 1ª Vara Cível de Magé dos autos das ações, nas quais Núbia figurava como ré para que os documentos contidos nas ações fossem falsificados". Diz ainda a denúncia que, "posteriormente, os documentos falsos juntados aos autos eram utilizados na instrução dos recursos e peças processuais defensivas".

Do Fórum de Magé Núbia foi levada para a sede da Polinter, de onde foi transferida no fim da tarde para a ala feminina da Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio. Nos próximos dias ele deverá ser transferida para o presídio feminino  Nélson Hungria.

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