Na última sexta-feira (19) o governador Wilson Witzel sancionou lei de autoria do deputado Max Lemos (foto), que autoriza o governo firmar convênio com a Prefeitura de Queimados para abertura e manutenção da maternidade do município, um ato visto como "demagógico", pois não seria necessário uma lei para isso. O jogo para a platéia acabou pegando mal para o parlamentar, pois a maternidade – cujas obras estão com quase um ano de atraso – está para ser implantada em prédio desapropriado por ele quando prefeito daquele município, e ainda não foi pago, com o debito somando cerca de R$ 6,8 milhões e a Prefeitura se propondo a quitar menos da metade disso.

O prédio é o mesmo onde funcionava a Casa de Saúde Bom Pastor, fechada em 2014, pois a unidade estava operando no vermelho, recebendo de convênio apenas R$ 200 mil mensais para fazer cirurgias eletivas, partos, internar e garantir atendimento 24 horas, enquanto que o Centro Especializado no Tratamento de Hipertensão e Diabetes (Cethid) implantado por Max – que não interna, não opera e nem tem atendimento 24 horas – recebia quase quatro vezes mais recursos.

Um ano após o fechamento forçado o então prefeito Max Lemos emitiu um decreto de desapropriação jogando o valor do imóvel para baixo, e ainda assim não efetuando o pagamento, problema que vem se arrastando na gestão do prefeito Carlos Vilela, responsável pela contratação das obras de reforma e ampliação do prédio, orçadas inicialmente em R$ 2,4 milhões, mas já passaram de R$ 3,2 milhões. 

Deputada cobra explicação – Recentemente a deputada Alana Passos (foto), fez um pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa, durante qual leu um requerimento com pedido de informações ao prefeito Carlos Vilela sobre os custos das obras, pedido o envio de documentos como o contrato firmado com a empresa BVB Construções, termos aditivos e histórico da obra.

Ao todo, com o débito da desapropriação e os gastos com as obras, o que a Prefeitura chama de Hospital-Maternidade de Queimados terá custado mais de R$ 11 milhões, pois o contrato da obra já foi aditivado duas vezes, saindo de R$ 2.413.283,16 para R$ 3.222.893,96.

Aditivos – Segundo dados de extrato publicado no dia 14 de dezembro de 2017, a BVB Engenharia – empresa responsável pelas obras – foi contratada por R$ 2.413.283,16, com a responsabilidade de concluir os serviços em seis meses, mas o prazo não foi cumprido, gerando ainda mais custos.

No dia 8 de agosto de 2018 foi publicado  o primeiro termo aditivo ao contrato, aumentando o prazo e reajustando o contrato em R$ 351.698,80, elevando-o R$ 2.764.981,96.  Como a empresa não concluiu os serviços no dia 22 de fevereiro deste ano foi feito mais um termo aditivo, esse no total de R$ 457.912,00.

 

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