Nélio Machado diz a mesma coisa em relação a Carlos Arthur Nuzman

A se confirmar os rumores de que o deputado Jorge Picciani estaria pretendendo transformar-se em colaborador do Ministério Público para deixar a prisão e proteger os filhos, ele vai ter de arrumar outro advogado. O mesmo se aplica ao ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, que já está em casa, graças a um habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça. Quem diz isso é um dos maiores criminalistas do país, o advogado Nelio Machado (foto), que defende os dois. A afirmação foi feita em entrevista ao repórter Luiz Maklouf Carvalho, publicada pelo jornal 'O Estado de São Paulo'. Ao 'Estadão' Nélio foi objetivo: "Se quiserem fazer delação premiada deixarão de ser meus clientes".

Nelio está escrevendo um livro no qual critica a forma como o instituto da delação premiada vem sendo usado no Brasil. Ele chegou a defender Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa e Fernando Baiano, famosos réus da Lava Jato. Deixou de tê-los como clientes assim que os três anunciaram que iriam fazer a delação. 'Covardia', o livro, deverá ser lançado ainda neste semestre. "O livro é uma comparação entre a advocacia clássica, que é a que eu faço, e os novos tempos dessa advocacia colaboracionista, que abdica das teses - como cerceamento ao direito de defesa - e busca uma solução que resolve o problema por critérios pragmáticos e não de justiça. Pouco importando a violência que se pratique quanto à equidade e consequências malévolas em relação a terceiros", diz o advogado na entrevista.

Para o advogado, "a covardia está em abrir mão da defesa”, porque, emenda, “defender dá trabalho, é um jogo incerto". Nelio Machado diz ainda na matéria que "advocacia não é profissão de covardes", lembrando uma citação do professor Sobral Pinto. "O que existe hoje na advocacia criminal é que a vitória se consegue com a derrota, ou seja, com a delação. Delator e advogado levam vantagens. Mas isso é bom para a sociedade? Pretendo mostrar que não é", completa.

No final da entrevista Nelio Machado foi firme também em relação à operação que levou pesos pesados do empresariado brasileiro e da política à prisão: "A Lava Jato faz muito mal ao país, porque age fora do devido processo legal, e das garantias fundamentais. O desserviço é maior que qualquer benesse" e arrematou: "Existem monstros que foram criados de forma artificial. Há algum tempo era o comunismo. Depois, o narcotráfico. Hoje, é a corrupção. Sempre existirá, e tem que ser combatida de forma inteligente. E não transformar a corrupção na referência nacional. A fome é mais importante. A saúde é mais importante, a educação é mais importante."

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