Aonde o procurador geral da República pretende ir? Essa pergunta precisa ser feita por cada brasileiro para chegarmos, nós mesmos, a uma conclusão, já que Rodrigo Janot (foto) e seus meninos prodígios não responderão jamais. Quando, sem prova alguma, acusa o presidente Michel Temer de tentar obstruir a justiça e de comprar o silêncio de um condenado, o MPF está desconstruindo tudo aquilo que o estado democrático de direito construiu. Não estou falando isso por achar que Temer não deva ser investigado ou por pretender defendê-lo, mas por entender que os nobres doutores da lei perderam a mão há muito tempo, empolgados que estão com os aplausos de quem entendeu bulhufas do espetáculo, mas bate palmas mesmo assim.

Estadão revela que um dos principais colaboradores do Procurador Geral deixou o MPF um dia antes da tão questionada gravação clandestina de Joesley Batista ser feita

O ex-procurador da República Marcelo Miller (foto) está atuando no escritório de advocacia contratado por Joesley Batista para representar o grupo JBS no fechamento do acordo de leniência que está sendo firmado com o MPF. A informação foi publicada com exclusividade pela jornalista de O Estado de São Paulo, o Estadão, Vera Magalhães, na tarde deste sábado. Segundo a revelação, Marcelo, que era “um dos principais braços-direitos de Rodrigo Janot no Grupo de Trabalho da Lava Jato até março deste ano”, a saída de Miler do Ministério Público Federal veio à público no dia 6 de março, um dia antes de o empresário gravar a conversa com o presidente Michel Temer.

Em matéria postada às 21h53 desta sexta-feira o jornal Folha de São Paulo revela que perito encontrou 50 cortes nos áudios divulgados pelo Ministério Público Federal. Leia o texto na íntegra

Uma perícia contratada pela Folha concluiu que a gravação da conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer sofreu mais de 50 edições. O laudo foi feito por Ricardo Caires dos Santos, perito judicial pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Segundo ele, o áudio divulgado pela Procuradoria-Geral da República tem indícios claros de manipulação, mas "não dá para falar com que propósito". Afirma ainda que a gravação divulgada tem "vícios, processualmente falando", o que a invalidaria como prova jurídica. "É como um documento impresso que tem uma rasura ou uma parte adulterada. O conjunto pode até fazer sentido, mas ele facilmente seria rejeitado como prova", disse Santos.

Segundo disse à Folha a Procuradoria, a gravação divulgada é "exatamente a entregue pelo colaborador e sua autenticidade poderá ser verificada no processo". "Foi feita uma avaliação técnica da gravação que concluiu que o áudio revela uma conversa lógica e coerente", declarou a Procuradoria na noite desta sexta (19). A gravação não passou pela Polícia Federal, que só entrou no caso no dia 10 de abril. O áudio, feito pelo empresário na noite de 7 de março, foi entregue diretamente à PGR e é anterior à fase das ações controladas.

Em um dos trechos editados, o empresário pergunta ao peemedebista sobre sua relação naquele momento com o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Lava Jato. As duas respostas de Temer sofreram cortes.  O trecho na gravação divulgada permite o seguinte entendimento:  

"Tá... Ele veio [corte] tá esperando [corte] dar ouvido à defesa. O Moro indeferiu 21 perguntas dele... que não tem nada a ver com a defesa dele"

"Era pra me trucar, eu não fiz nada [corte]... No Supremo Tribunal totalidade só um ou dois [corte]... aí, rapaz mas temos [corte] 11 ministros"

Em depoimento posterior à PGR, Joesley disse que nesse momento o presidente dizia ter influência sobre ministros do STF. "Ele me fez um comentário curioso que foi o seguinte: 'Eduardo quer que eu ajude ele no Supremo, poxa. Eu posso ajudar com um ou dois, com 11 não dá'. Também fiquei calado, ouvindo. Não sei como o presidente poderia ajudá-lo", afirmou.

Em outro trecho cortado, o empresário, enquanto explica a Temer que "deu conta" de um juiz, um juiz substituto e um procurador da República, declara: "...eu consegui [corte] me ajude dentro da força-tarefa, que tá".

No momento mais polêmico do diálogo, quando, segundo a PGR Temer dá anuência a uma mesada de Joesley a Cunha, a perícia não encontrou edições. O trecho, no entanto, apresenta dois momentos incompreensíveis, prejudicados por ruídos.

Em entrevista à Folha, outro perito, Ricardo Molina, que não fez uma análise formal do áudio, declarou que a gravação é de baixa qualidade técnica. Para ele, uma perícia completa e precisa obrigaria a verificação também do equipamento com que foi feita a gravação. "Percebem-se mais de 40 interrupções, mas não dá para saber o que as provoca. Pode ser um defeito do gravador, pode ser edição, não dá para saber."

Para o perito judicial Ricardo Caires dos Santos, não há hipótese de defeito.

Procurada para comentar o assunto, a assessoria da JBS disse que a empresa não vai comentar.

Conforme revelou o Painel nesta sexta-feira (19), o Planalto decidiu enviar a peritos a gravação, desconfiando de edição da conversa. Comprovada a existência de montagem, o governo vai reforçar a tese de que Temer foi vítima de uma "conspiração".

Além de implodir o mercado financeiro delação da JBS deu enorme lucro aos seus donos

Donos de um império formado na base da corrupção e do dinheiro público (empréstimos secretos concedidos pelo BNDES), os irmãos Joesley e Wesley Batista (foto) não vão devolver nem 1% do que lucraram no esquema montado nos três governos petistas. O acordo feito com o Ministério Público Federal só foi bom para eles mesmos, que pagarão apenas uma multa de R$ 225 milhões, quando em um único dia faturam R$ 265 milhões numa compra de U$ 1 bilhão (com a moeda americana valendo no dia da transação R$ 3,134), sem contar os lucros obtidos com especulações na Bolsa de Valores, onde, em abril, venderam R$ 329 milhões em ações da JBS, as mesmas que hoje estão valendo 14,84% menos. A dupla sabia que o dólar subiria quando a gravação ilegal feita por Joesley fosse divulgada e que as ações iriam cair depois do noticiário sobre o escândalo. Para analistas do mercado financeiro, foi tudo premeditado.