Juiz da Lava Jato não viu prova de que Claudia Cruz sabia de depósito de US$ 1 milhão

Em sentença divulgada no final tarde desta quinta-feira (25), o juiz federal Sergio Moro inocentou a mulher do ex-deputado Eduardo Cunha em processo no qual ela foi acusada pelos procuradores da Lava Jato dos crimes de evasão fraudulenta de dinheiro e lavagem de dinheiro. Moro não viu provas de que Claudia Cruz (foto) tivesse conhecimento da existência de US$ 1 milhão - “dinheiro de origem ilícita”, segundo o Ministério Público Federal - em sua conta bancária. 

O que o Supremo Tribunal Federal está esperando para anular esse acordo de delação premiada que deixa livre de qualquer processo o empresário Joesley Batista, manda-chuva maior do grupo JBS? Como se não bastassem a multa irrisória estipulada pelo “imaculado” Ministério Público, o fato de um procurador da República - que se demitiu um dia antes de a gravação clandestina de uma conversa com entre Joesley e o presidente Michel Termer – ter se associado ao escritório de advocacia que representa a JBS e – e a derrapada feia na curva do cacique da PGR, Rodrigo Janot, que inseriu a gravação no inquérito sem solicitar que o material fosse periciado antes, agora vem à tona a informação de que Edson Fachin (foto) pediu ajuda a gente da JBS para assegurar sua nomeação como ministro do STF. Já sei. Vão dizer que o ministro não sabia, em 2015, quando isso aconteceu, da relação promíscua do empresário com parlamentares.

Muito bem. Se não sabia agora já sabe, assim como tem pleno conhecimento de que a gravação não foi periciada e que Joesley deve R$ 2,3 bilhões ao INSS e obteve empréstimos bilionários junto ao BNDES, que dificilmente serão pagos.

Reinaldo Azevedo chegou a pedir demissão da Veja por causa disso

Em nota oficial a Procuradoria-Geral da República (PGR) negou que tivesse anexado ao inquérito sobre o senador Aécio Neves uma conversa entre o jornalista Reinaldo Azevedo (foto) e uma fonte, nesse caso irmã do político, Andrea Neves, presa na semana passada, no processo em que ela é investigada por corrupção. O vazamento levou o jornalista, que escrevia também para a revista Veja, a pedir rescisão do seu contrato. A inclusão da conversa, se tiver mesmo acontecido, viola a garantia constitucional dos jornalistas ao sigilo de suas fontes e fere também a lei que assegura interceptações telefônicas durante as investigações. A lei determina o descarte das provas derivadas de grampos que não tenham utilidade para o processo.

Afirmação é de um dos maiores especialistas em áudio do Brasil, o perito Ricardo Molina, que apontou mais de 60 cortes, sendo seis falhas no trecho sobre Eduardo Cunha

“É uma gravação tão contaminada que não pode ser levada a sério. Ela só está sendo levada a sério pelo contexto político que a circunda. A Procuradoria é ingênua e incompetente. Aquilo é coisa de leigo e que não sabe mexer em áudio. Eles se esconderam atrás de frases como índice provável de confiabilidade. Essas duas pessoas [analistas do MPF] não entendem nada de áudio”. A afirmação é de Ricardo Molina (foto), um dos maiores especialistas do Brasil. Molina – que é professor Unicamp e um perito em fonética forense, tendo atuado em centenas de casos em processos criminais – foi contratado pela defesa do presidente Michel Temer para analisar o áudio em que o presidente conversa com o empresário Joesley Batista, que comanda o grupo JBS, que fez o acordo de delação com o Ministério Público Federal.

Aonde o procurador geral da República pretende ir? Essa pergunta precisa ser feita por cada brasileiro para chegarmos, nós mesmos, a uma conclusão, já que Rodrigo Janot (foto) e seus meninos prodígios não responderão jamais. Quando, sem prova alguma, acusa o presidente Michel Temer de tentar obstruir a justiça e de comprar o silêncio de um condenado, o MPF está desconstruindo tudo aquilo que o estado democrático de direito construiu. Não estou falando isso por achar que Temer não deva ser investigado ou por pretender defendê-lo, mas por entender que os nobres doutores da lei perderam a mão há muito tempo, empolgados que estão com os aplausos de quem entendeu bulhufas do espetáculo, mas bate palmas mesmo assim.