Preocupa a todo cidadão de bom senso a declaração do candidato do PSL de que é concreta a possibilidade de uma fraude eleitoral em favor do candidato do PT. É de uma gravidade tamanha. Não porque a votação eletrônica possa ser manipulada, mas por sugerir que Jair Bolsonaro e seus iguais não irão aceitar resultado que não seja a vitória. Quando alguém que se propõe a governar o país faz tal ameaça, ainda que velada, nos leva pensar que Bolsonaro, Mourão e Cia. querem é ganhar no grito. Isso é muito sério. É seríssimo. Quem pensa assim está é pregando o poder absoluto, a marcha dos coturnos sobre as cabeças dos defensores da liberdade e revelando o medo terrível que a democracia lhe causa.

Se Lula concorre impugnado seus votos são anulados ai o segundo colocado poderia vencer logo no primeiro turno. Já pensaram nisso?

 

Talvez o candidato do PSL à presidência da República e seus aliados ainda não perceberam, mas a teimosia do PT em sustentar a candidatura de um preso com condenação em corte colegiada e, portanto enquadrado na Lei da Ficha Limpa, é excelente para o segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto. É tão boa que chega a levantar suspeitas. Porém antes de os bolsonaristas partirem para o ataque contra mim, sugiro que leiam o texto todo e não apenas o título, clicando no leia mais. Depois podem me bater a vontade...

De acordo com o Relatório sobre Notícias Digitais do Instituto Reuters – uma das mais importantes pesquisas do mundo sobre o tema – o Brasil é o pais mais preocupado com as noticias falsas, as 'fakes news' que criam um transtorno danado e destroem reputações. Mas e daí? Se analisarmos sem entrar no mérito da questão nos daremos por satisfeitos em saber que 85% dos brasileiros entrevistados demonstram preocupação, mas preocupar-se somente resolve a questão? Claro que não. As notícias inverídicas só têm a proporção que tem no Brasil por causa da preguiça de ler. Em vez de lerem todo o texto muitos param no título, tiram suas conclusões e comentam com o cotovelo. Não leram o "quando, onde, como e por que", mas já formaram opinião. 

"Vou entrar de cabeça erguida e sair de peito estufado" (Luiz Inácio Lula da Silva)

Quando, no dia 4 de março de 2016, o juiz Sergio Moro determinou, ao arrepio da lei, a condução coercitiva do ex-presidente Lula, eu dizia a um grupo de amigos com os quais almoçava em Macaé, que o Judiciário estava fabricando um herói. Não deu outra. Iniciou-se a comoção que torna o ex-metalúrgico imbatível nas urnas. Agora Moro voltou a dar um empurrão a favor de Lula, quando, com pressa em prendê-lo, pisou mais uma vez no devido processo legal, pois a ação ainda não transitou em julgado nem na segunda instância. Ao expedir o mandado de prisão numa ação na qual o ex-presidente foi condenado sem provas, na base da convicção do magistrado e do achismo conveniente dos "meninos de ouro" do MPF, o Judiciário externa que os que querem dominar o paí no grito estão é morrendo de medo de um operário que conquistou o mundo.

Os extremistas jamais vão falar sobre isso, mas no período da ditadura militar, o cidadão que saísse às ruas sem levar no bolso a carteira de trabalho assinada era detido e autuado por vadiagem; a inflação chegava a 80% ao mês, faltava alimentos nas prateleiras dos supermercados e havia racionamento de gasolina. Criticar o governo? Nem pensar! Isso era crime grave pois - assim como os jornais não podiam noticiar escândalos, muito menos denunciar a truculência e os torturadores que povoavam os porões dos quartéis - as manifestações públicas eram proibidas. Os militares controlavam tudo com mão de ferro. Omissos, os integrantes do Ministério Público e do Poder Judiciário não davam um pio, pois se borravam de medo dos generais. Era assim nos tempos do "Brasil, ame-o ou deixe-o", os calabouços, fuzis e baionetas...