Por Elizeu Pires

A palavra comunista vem do latim, comunis, comum, mas o homem se encarregou de deturpar isto, dando-a como nome a uma doutrina política, cujos adeptos pregam que todas as pessoas têm direitos iguais sobre tudo, ignorando a propriedade privada, com o estado tutelando tudo em favor de todos. Só que, na prática, não é bem assim. Nos países onde tal doutrina ainda impera uns são mais "iguais" que os outros quando se trata de dividir o ouro, com os líderes do sistema tendo direito a tudo e o povo a nada. Vide Cuba, por exemplo. Por lá os Castros desfilam de Mercedes e o povo em sucatas, isto os poucos que conseguiram manter sobre quatro rodas o que sobrou dos anos 50...

Não há saída fora da democracia. A hora é essa

 

Em um estado democrático e de direito não há solução senão a que se dê a partir da escolha popular, aquele gesto solitário diante da urna, no qual o cidadão comum mostra toda a força reprimida pelo descaso e pela falta de confiança nos políticos que há anos têm se servido do povo. Não há saída fora da democracia e a hora essa. É claro que o cidadão também tem o direito de não sair de casa para votar ou de votar em branco e até anular o voto, mas isso não ajuda em nada. Muito pelo contrário: ajuda a por no poder, em muitos casos, o menos desejado, o menos preparado, o mal intencionado, o mais rejeitado...

Texto de Hidelgard Angel publicado na edição deste sábado do Jornal do Brasil

 

Quem não entendeu que o Brasil mudou, agora se insurge contra avanços irreversíveis. Será difícil voltar atrás de tantas conquistas, sobretudo a mais importante: a conquista da consciência. Aquela que ninguém consegue aprisionar, nem iludir com ameaças e medos. A consciência despertada pelos últimos anos de governos progressistas fez a mulher se retirar de sua eterna sina de inferioridade, praticamente uma opção pela inferioridade, e deixar sua autoestima desabrochar. A consciência que empoderou o movimento negro, despertou as identidades, acolheu as diferenças, abriu todos os armários, de todos os preconceitos, fazendo penetrar a feliz brisa da liberdade.

Quem participa da eleição presidencial adere tacitamente a um contrato com a nação. Obriga-se a aceitar o resultado soberano das urnas em caso de derrota e, na outra hipótese, a respeitar a Constituição e os direitos fundamentais ao conduzir o governo. Em meio à crispação do ambiente de campanha e ao estrago desencadeado pela recessão na economia, o aceno a ideias autoritárias requer das duas candidaturas ora mais competitivas algo além da aceitação presumida das regras do jogo, no entanto. Chegou a hora de expressarem compromissos definitivos com a democracia.

O ouvir dizer e o andam dizendo por aí matam

 

Na visão do celebrado escritor Érico Veríssimo o boato "é uma espécie de enjeitadinho que aparece à soleira duma porta, num canto de muro ou mesmo no meio duma rua ou duma calçada, ali abandonado não se sabe por quem; em suma, um recém-nascido de genitores ignorados". Ai vem alguém que "acha o engraçadinho ou monstruoso, toma-o nos braços, nina-o, passa-o depois ao primeiro conhecido que encontra, o qual por sua vez entrega o inocente ao cuidado de outro ou de outros, e assim o bastardinho vai sendo amamentado de seio em seio ou, melhor, de imaginação em imaginação".  Vai além: "...e em poucos minutos cresce, fica adulto - tão substancial e dramático é o leite da fantasia popular - começa a caminhar pelas próprias pernas, a falar com a própria voz e, perdida a inocência, a pensar com a própria cabeça desvairada, e há um momento em que se transforma num gigante, maior que os mais altos edifícios da cidade, causando temores e às vezes até pânico entre a população, apavorando até mesmo aquele que inadvertidamente o gerou." Concordo com ele e explico. O boato é uma arma perigosa. Destrói reputações, famílias, ceifa vidas, mas tem muita gente por ai amamentando o enjeitado, fazendo-o crescer. Pois é. A coisa é muito seria, mas há os que os divulgam sem se preocupar com as consequências. Vamos aos fatos...