"As coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos." Lembrei-me hoje do que William Shakespeare disse há 420 anos e certamente, por estas linhas, serei crucificado pelos mesquinhos que, no extremo da ignorância, alegraram-se com a morte de uma criança, vítima duas vezes: primeiro da meningite que ceifou sua vida, depois, da insensibilidade que toma conta de extremistas, gente esquisita sem dó nem piedade. O corpo de Arthur, neto do ex-presidente Lula, foi cremado neste sábado em São Bernardo do Campo e, enquanto o avô, pais, tios e amigos o velavam, idiotas se manifestavam nas redes sociais, alegrando-se com a dor família. Pensei que as manifestações de ódio acabariam com a posse do presidente Jair Bolsonaro. Mas não. Prolonga-se com o esforço de uma militância de imbecis, estende-se Brasil a fora com a marcha de um exército de psicopatas...

Em tempos de paranoia os fardados trabalham pelo equilíbrio

 

Quem leu a nota oficial do chanceler Ernesto Araújo sobre os conflitos na Venezuela percebeu que o ministro das Relações Exteriores não está sendo nada diplomático. O discípulo de Olavo de Carvalho mistura tudo e bate no liquidificador do despreparo e, daí, sai com uma besteira atrás da outra. É mais um dos truculentos civis que integram o governo do presidente Jair Bolsonaro que, a exemplo dos seus filhos, costuma apagar fogo com gasolina. Enquanto os militares vão usando do bom senso, a ala dos extremistas parte para o ataque. Não é só na questão da Venezuela não. É sobre tudo, num eterno "nós contra eles", com os que conseguem pensar e tem argumentos de sobra, incluídos no grupo do "eles", como são classificados aqueles que os bolsonaristas tem como inimigos...

Somando 108 deputados e dez senadores, a Bancada da Bíblia ou dos evangélicos – como preferirem – está se achando. Quer impor uma pauta de costumes, quando a prioridade deveria ser o país e questões que vão muito além dos templos que não pagam impostos, não rendem um centavo sequer aos cofres públicos. Mais uma vez o assunto é a transferência da Embaixada do Brasil de Tel-Aviv para Jerusalém, como se isso tivesse uma enorme importância para a nação. O bloco do "nós acima de tudo e de todos" parece ver nessa mudança a solução para todos os problemas nacionais. Ignora, por exemplo, que se levada a efeito, a transferência pode causar um baque e tanto na economia brasileira...

(Uma reflexão sobre os dias de hoje)

Elizeu Pires

O presidente já está há um mês e três dias no cargo, mas o clima ainda é de palanque e, pasmem, o homem que falava besteiras durante a campanha, a ponto de ser orientado a ficar de boca fechada, é quem se mostra mais sensato no governo. As redes sociais continuam congestionadas por fakes na desenfreada tentativa de desmentir o inegável. Coitado de quem ousar dizer que Flávio Bolsonaro empregou parentes de milicianos em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, que ele e seu homem de confiança fizeram transações financeiras atípicas, pois, na cabeça dos fanáticos, tocar nesse assunto é coisa de comunista, assim  como só comunistas cometeriam o "sacrilégio" de afirmar que o general dá de mil no capitão, que vê como inimigo todo aquele que ousa tocar na ferida dos seus...

Minha relação com Magé não tem nada de pessoal. É profissional, e exercida sempre que se precisa dela. Vocês se lembram dos tempos de chumbo, quando se temia tocar no poder local? Pois é. Quem foi que saiu de sua zona de conforto e deu as caras para tomar as dores, lutar numa batalha que não era sua, já que os corajosos locais preferiam a segurança do silêncio, para não dizer a da omissão conveniente? Da metade de 2011 para cá está muito fácil mostrar-se forte e corajoso. Particularmente, eu, Elizeu Pires, a quem vocês recebem todos os dias com carinho e respeito via elizeupires.com, gostaria muito de ter contado com a ajuda dos destemidos de hoje, mas, infelizmente, tive de ir à guerra sozinho. Nada a lamentar. Só fico triste quando leem uma coisa, entendem outra e saem espalhando da forma equivocada resultante de uma limitada interpretação...