Câmara gasta o dinheiro do povo, não mostra as contas por bem e agora vai ser na dura

O presidente da Câmara de Vereadores de Mesquita, Marcelo Santos Rosa, o Marcelo Biriba, foi chamado à Delegacia Fazendária por conta de um procedimento investigativo que apura pagamentos que podem chegar a R$ 190 mil mensais. De acordo com fontes ligadas à Casa, a falta de transparência com os gastos públicos é um problema antigo no Poder Legislativo, situação que teria piorado bastante na atual legislatura, com a Mesa Diretora se negando a dar informações até mesmo a membros da Câmara, que já gastou este ano mais de R$ 4,6 milhões com folha de pagamento de servidores, assessores, subsídio dos parlamentares e custo de manutenção, sem disponibilizar qualquer dado sobre as finanças.

O vereador Tiago Vieira Martins da Silva, o Tisga, é um dos que mais viajaram à Brasília este ano e ainda deu um pulinho em São Paulo com uma diária de R$ 500 (Foto: A Voz da Cidade)

Vereadores viajam ao Distrito Federal até para visitar deputados vizinhos

O deputado Waderley Alves de Oliveira, o Deley (PTB-RJ), mora em Volta Redonda, onde pode ser encontrado facilmente nos feriados e fins de semana, mas para visitá-lo dois vereadores de Resende – cidade localizada a 50,5 quilômetros de distância da base do parlamentar e a 1.092 quilômetros de Brasília – embarcaram hoje (21) para a capital federal. Segundo registro no Portal da Transparência da Câmara, Alessandro Ritton e Luís Henrique Sene (foto) saíram nesta quarta-feira e retornam amanhã, tendo recebido cada um R$ 1.250,00 de adiantamento para as despesas, quando não gastariam, juntos, nem R$ 100 para irem a Volta Redonda e retornar, com chances, inclusive, de filarem o almoço na casa do deputado. Essa é a segunda viagem de Alessandro à Brasília este ano e a quarta de Luis, mesmo número de visitas ao DF feitas neste primeiro semestre pelos também vereadores Tiago Vieira Martins, o Tisga e Caio Marcelo Bauer.

Miga queria antecipar votação que só deveria ocorrer no final do próximo ano

Há apenas seis meses no cargo de presidente da Câmara de Japeri, O vereador Wesley George de Oliveira, o Miga (foto), havia marcado uma votação que só deveria ocorrer no final do próximo ano, a eleição interna para a escolha dos componentes da mesa diretora para o biênio 2019/2020, com ele próprio encabeçando a chapa. A reeleição antecipada de Miga só não ocorreu porque a Justiça entendeu que a votação seria ilegal, uma vez que nenhuma conta dele como presidente do Poder Legislativo foi analisada, até porque o presidente assumiu o cargo em janeiro e não concluiu ainda nenhum exercício fiscal. O vereador não foi encontrado para falar no assunto.

Ele administra um dos municípios mais pobres do estado do Rio de Janeiro e ganha mais que o governante da rica Volta Redonda, que tem universo populacional 26 vezes maior

Santa Maria Madalena tem pouco mais de 10 mil habitantes, é uma das cidades mais pobres do Rio de Janeiro e está na 83ª posição no estado em relação ao número de moradores, mas o prefeito Carlos Alberto de Matos Botelho,  o Beto Verbicário (foto), recebe subsídio de gestor de cidade grande, ganhando mais, por exemplo, que o prefeito Elderson Ferreira da Silva, o Samuca Silva, de Volta Redonda, cidade que se encontra na 10ª colocação. De acordo com a Lei Municipal 2017 de 24 de junho de 2016, o subsídio do prefeito de Madalena para o período de 2017 a 2020 foi fixado em R$ 21 mil, enquanto a Câmara de Vereadores de Volta Redonda (que tem 260 mil moradores) aprovou vencimento de R$ 17.440,00 para o gestor local durante o mesmo período. Se Santa Maria Madalena ultrapassa Volta Redonda no quesito salário de prefeito, perde feio no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal medido pelo Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Segundo a pesquisa, Madalena ocupa a 78ª posição no IDH-M, enquanto Volta Redonda está em 4º lugar.

Doente, prefeito raramente aparece, mas não se licencia para o vice-prefeito assumir

Apesar de ter sua importância reconhecida por todas as instituições sérias do Brasil, a denúncia anônima não tem validade na pequena Porto Real, cidade de cerca de 20 mil habitantes, no Sul Fluminense. O presidente da Câmara Gilberto Caldas decidiu arquivar uma solicitação que pedia a abertura de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para apurar a ausência do prefeito Jorge Serfiotis, que já estaria há algumas semanas fora da Prefeitura. Caldas preferiu usar o microfone para atuar como advogado do prefeito e, sem avaliar o conteúdo, muito menos a gravidade da denúncia, virou-se contra o denunciante anônimo e fez vista grossa para o caos administrativo na cidade, com a ausência do prefeito sem a autorização da Câmara.