...pelo “crime” de viabilizar pagamento de salários atrasados

No dia 15 de fevereiro os servidores de Mesquita receberam os salários de novembro, dezembro e o décimo-terceiro, parte de uma dívida de R$ 130 milhões deixada pelo prefeito Gelsinho Guerreiro, que teve uma gestão marcada por escândalos e denúncias de irregularidades, tendo mergulhado a cidade no buraco e a abandonado logo depois de derrotado nas urnas. Agora, a exatos 130 dias após a posse do gestor que está tentando arrumar a casa, a Câmara de Vereadores – que fechou os olhos para os desmandos de Guerreiro – quer cassar o mandato do prefeito Jorge Miranda (foto), não por qualquer tipo de fraude ou denúncia de corrupção, mas pelo fato de ele ter conseguido um jeito de pagar todo o débito com o funcionalismo de uma vez só, usando dinheiro emprestado da previdência municipal, o Mesquita-Previ, depois de um acordo acompanhado pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública. Dos 12 atuais vereadores sete tinham mandato no período de Guerreiro e nada fizeram contra seus atos.

A acusação contra o prefeito é de “infração político-administrativa” e foi lida no plenário da Câmara Municipal na sessão de ontem (9), para em seguida der criada uma comissão processante que terá 90 dias para apurar e pedir a cassação do mandato de Miranda, caso conclua que houve irregularidade na abertura de um crédito adicional de R$14.098.551,07 no orçamento, exatamente para pagar os atrasados do funcionalismo com o dinheiro do Mesquita-Previ, que será reposto em parcelas pela Prefeitura.

Os vereadores entendem que o crédito especial só poderia ser aberto com aprovação da Câmara, em apreciação de um projeto de lei apresentado nesse sentido. Entretanto, o que se comenta nos corredores do poder em Mesquita é que os vereadores estariam insatisfeitos com o governo, que não teria aceito indicações deles para ocupação de cargos comissionados, decidindo então pressionar o prefeito.

Pressão política ou não, a aprovação da comissão processante contra Miranda revoltou setores da sociedade e do funcionalismo. É que mais da metade dos atuais vereadores exerceram mandato durante os quatro anos da gestão de Guerreiro e nunca se moveram contra qualquer ato do governo passado. Na gestão de Gelsinho – que é alvo de várias denúncias no Ministério Público – estavam na Câmara os vereadores Amaury Trindade (PTB), Cristiane Pelinca Amaral (PC do B), Gelson Henrique Santos da Silva (SD), Leonardo Andrade (PMDB), Joelson Cavalcante da Silva (PPS) e Marcelo Santos Rosa, o Biriba, atual presidente da Casa.

 

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