Ex-prefeito de Maricá estaria querendo mandar mais que o sucessor e nomear seus apadrinhados em mais de 500 novas "boquinhas"

Listado entre os quatro municípios fluminenses não atingidos pela crise econômica – os outros são Macaé, Niterói e Saquarema – Maricá está nadando em dinheiro e ao que parece o poder não estaria sabendo lidar com a coisa. Depois de atentar o prefeito Fabiano Horta (foto), apontado como sua "criatura", para enviar um projeto de lei à Câmara de Vereadores criando cinco novas secretarias e mais de 500 cargos comissionados, o ex-prefeito Washington Luiz Cardoso Siqueira, Washington Quaquá, achou-se no direito de escolher quem seria nomeado e dessa vez Fabiano não teria concordado e avisado que o dono da caneta é ele.  O que se comenta nos corredores do poder em Maricá é que Quaquá se acha meio que dono do governo, por ter guiado Horta, segundo ele mesmo costuma afirmar, "pelos caminhos da vitória", abertos por uma poderosa máquina administrativa.

De acordo com gente do próprio governo, o "racha" está evidente e o não do prefeito ao ex-mandachuva pode dificultar bastante as coisas para o "criador" com vista às eleições de 2018, quando Quaquá – mesmo declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral – pretenderia se candidatar a deputado federal e tentar reeleger sua mulher, a deputada estadual Rosangela de Oliveira, mais conhecida como Zeidan.

Criar cargos para aumentar o poder de barganha foi o que o hoje ex-prefeito mais fez nos oito anos em que governou a cidade. Até maio de 2015 Quaquá, além de firmar contratos de consultoria com alguns companheiros do PT e empregar uma filha e um genro dos ex-presidente Lula, já havia criado mais de 800 cargos comissionados e esse número foi só aumentando. Só para assuntos ligados a área da assistência social o município passou a contar na gestão dele com três secretarias e o aumento na folha de pagamento este ano vai somar mais de R$ 20 milhões.

De acordo com o Demonstrativo de Distribuição de Arrecadação do Banco do Brasil, os repasses de royalties feitos mensalmente pela Agência Nacional do Petróleo ao município de Maricá vêm aumentando bastante desde 2013. No ano passado as transferências somaram R$ 180.038.768,54 e os repasses feitos entre janeiro e junho de 2017 passam de R$ 142 milhões. Foram R$ 20.205.678,68 em janeiro, R$ 26.871.485,30 em fevereiro, R$ 27.339.128,74 em março, R$ 22.191.743,42 em abril, R$ 22.679.327,45 em maio e R$ 23.110.782,39 no mês passado.

 

Matérias relacionadas:

Políticos na contramão da crise

Maricá, o paraíso dos petistas

Maricá e Niterói estão “nadando” em dinheiro

Mantida sentença que torna Quaquá inelegível

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar