O prefeito Jorge Miranda espera decisão da Justiça e diz que não fará acordo com vereadores para se manter no cargo

Na Alerj cassação é vista como forma de "encostar na parede"

Acumulando uma série de denúncias no Ministério Público pela contratação de serviços que não teriam sido prestados e supostas nomeações de assessores fantasmas, o comando da Câmara de Vereadores de Mesquita resolveu manchar o nome da instituição com uma decisão política que está sendo vista como "mera tentativa de encostar o prefeito na parede para obter resultados nada republicanos". A cassação do mandato de Jorge Miranda (foto) no dia em que ele completaria sete meses de governo pode cair a qualquer momento, mas a mancha no Poder Legislativo será permanente e os nove vereadores que participaram do circo montado por um grupo que nos últimos quatro anos fechou os olhos para a série de irregularidades praticadas na gestão do prefeito Gelsinho Guerreiro (que deixou um rombo de mais de R$ 130 milhões para a nova administração cobrir) entrarão para a história do município de forma negativa.

A defesa do prefeito já apresentou à Justiça um agravo contra a decisão da Câmara, o que poderá ser apreciado ainda hoje. Os advogados estão tentando provar que o uso de pouco mais de R$ 14 milhões da previdência municipal para pagar os salários de novembro, dezembro e o décimo terceiro aos servidores efetivos não teria sido feito com base em empréstimo, mas sim por uma transferência resultante de acordo avaliado pelo Ministério Público e Defensoria Publica, com aval da própria Justiça e que por isso não era necessária a aprovação do Poder Legislativo.

A cassação do mandato do prefeito teve repercussão negativa ontem na Assembleia Legislativa, onde a decisão da Câmara de Vereadores foi vista como mera forçação de barra sobre Jorge Miranda, que desde que assumiu vem mantendo uma postura republicana, sem comprometer a coisa pública para alicerçar uma base de apoio no Legislativo.

Jorge Miranda afirma que não faz política à moda antiga, que respeita a decisão da Câmara, mas que não fará acordo com os vereadores para se manter no cargo. Ele diz que espera que se faça Justiça e que seja respeitada a vontade do povo que o elegeu.

 

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