E vereadores dizem que se for possível também vão querer o deles

Centenas de servidores de Tanguá estão com férias atrasadas, alguns com até três períodos a receber e quando cobram seus direitos ouvem do governo que o município está em crise e que a Prefeitura não tem como pagar. Porém, mesmo alegando que o caixa está baixo, o prefeito Valber Luiz Marcelo (foto) enviou projeto de lei à Câmara Municipal concedendo a si e ao vice-prefeito Waldir Dias Filho o direito de receberem férias e décimo terceiro salário, com base em decisão de repercussão geral tomada pelo Supremo Tribunal Federal, que julgou constitucional uma lei aprovada no município de Alecrim (RS) garantindo os mesmos benefícios. O pedido do prefeito foi aprovado por 10 votos a dois e alguns vereadores disseram que também gostariam de receber o deles.

Os benefícios foram votados na sessão de ontem (24) e a matéria foi defendida pelo próprio presidente da Casa, Luciano Lucio Natalino, que afirmou que se pudesse os pagaria também aos vereadores e só não faz isso porque os membros da Casa já recebem o teto constitucional. Falando sobre o projeto, o vereador José Rozendo Pacheco, o Juninho (PDT), afirmou que votou contra, não por entender haver ilegalidade, mas porque primeiro é preciso pagar aos servidores. "Tem centenas sem receber as férias. Alguns estão esperando há três anos", afirmou ele, que defende uma investigação na folha de pagamento, pois acredita haver irregularidades nos gastos com pessoal.

Pequeno no tamanho, o município de Tanguá tem convivido com escândalos de cidades grandes.  Em dezembro foi denunciado um suposto esquema de compra de votos, que teria beneficiado o prefeito (reeleito com 59,98% dos votos). Além de Valber a denúncia citou dois vereadores não reeleitos e o secretário de governo, Felipe Monteiro, conhecido nos corredores do poder como "Felipe Mão de Ferro" e chamado também de "o verdadeiro prefeito".

Esta não foi a única denúncia envolvendo a reeleição do prefeito. Em junho do ano passado um morador do bairro Duques, Diomar Farias revelou que teria sido convidado por um assessor especial do prefeito com vistas a um acordo para apoiar a candidatura de Valber a reeleição. Ele gravou toda a conversa e colocou a boca no trombone. Diomar revelou que ele e outros então pré-candidatos a vereador teriam sido chamados pelo assessor e recebido proposta de uma "mesada" de R$ 1 mil para fecharem apoio o apoio.

 

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