Expressão criada na República Velha está bem viva na cabeça dos que acompanham a movimentação política nessa cidade da Baixada Fluminense

Os números não deixam dúvidas: desde as eleições de 2010 que o município de Queimados, na Baixada Fluminense, tem sido a principal fonte de votos, proporcionalmente falando, para os políticos da família Picciani, ou "curral eleitoral" na opinião dos que analisam a situação pelo prisma da República Velha, quando a expressão foi cunhada para grafar o controle - a mão de ferro - dos coronéis da roça e dos grandes fazendeiros sobre os votos de seus empregados e agregados. Em 2014, por exemplo, o fazendeiro e hoje encarcerado Jorge Picciani obteve por lá 11.330 votos para deputado estadual (15,26% do total válido) e o filho dele, o deputado federal Leonardo Picciani, 18.039 (25,39%). Entretanto, de acordo com algumas lideranças da região, 2018 pode ser bem diferente, pois ninguém gosta de ser confundido com gado marcado e muito menos objeto da imposição da vontade daqueles que se acham donos e senhores de uma cidade.

Com cerca de 146 mil habitantes, segundo o IBGE, o município de Queimados foi governado durante oito anos seguidos por um ex-assessor de Jorge Picciani, Max Lemos, que teve como padrinho de casamento o ex-governador Sergio Cabral, a quem Jorge agora faz companhia na Cadeia Pública Frederico Marques, para onde foi levado em novembro do ano passado, acusado pelo Ministério Público Federal de comandar um suposto esquema de corrupção que teria sido montado na Assembleia Legislativa. Porém, apesar da prisão do poderoso cacique, Max ainda tem esperança de fazer dobradinha com ele, candidatando-se a deputado federal este ano, contando para isso com o apoio do atual prefeito, Carlos Vilela que, para alguns observadores, estaria apenas fazendo figuração no "governo de continuidade", como ele mesmo costuma rotular a administração municipal.

O desempenho dos candidatos da família Picciani nas urnas em Queimados começou a se destacar em 2010, dois anos após a eleição de Max Lemos na disputa pela Prefeitura, um feito e tanto para quem tinha no currículo apenas uma tímida passagem pela Secretaria de Transportes de Nova Iguaçu na gestão do prefeito Altamir Gomes e que depois foi abraçado politicamente pelo presidente da Alerj e pelo governador Sergio Cabral. Nas eleições de 2010 Picciani pai teve 35.481 votos para senador na cidade e seus filhos Leonardo e Rafael outros 21.080. Leonardo somou exatos 12.461 votos para deputado federal e o irmão 8.619 para estadual.

Reeleito em 2012, Max Lemos tratou de continuar batendo cabeça para o homem que lhe abriu as portas na política e não deixou a família Picciani na mão, dando ao clã ainda mais votos nas eleições de 2014: Leonardo somou 18.099 votos, o pai 11.330 e, para não passar em branco, Rafael ficou com uma sobra de 185 votos.

 

Comentários  

0 #1 PC 08-01-2018 13:51
Quem disse que o Max é ex-prefeito? Ele continua governando.
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0 #2 Jorge Luiz 08-01-2018 13:53
O Max foi o melhor prefeito que já tivemos até agora e o Picciani ajudou muito o nosso município.
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0 #3 Luiz Carlos 08-01-2018 13:55
Agora o Max vai dizer que nem conhece os Picciani e seu padrinho de casamento sergio cabral
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0 #4 Gerson 08-01-2018 13:58
Citando Jorge Luiz:
O Max foi o melhor prefeito que já tivemos até agora e o Picciani ajudou muito o nosso município.

Leva ele pra sua casa.
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