Procuradoria apura pagamento por reunião em favor de Cozzolino. Ex-prefeita foi flagrada prometendo dinheiro a quem organizasse para apoio ao deputado da família

 

Denúncias de uso da maquina administrativa, compra de votos e outras condutas vedadas pela legislação eleitoral não são novidades para a ex-prefeita de Magé, Núbia Cozzolino. Ela já foi cassada por isso, ainda responde ações na Justiça e mais um processo pode estar a caminho, pois a Procuradoria Regional Eleitoral está apurando possível abuso de poder econômico em favor do sobrinho dela, o deputado estadual Renato Cozzolino Harb. A PRE reuniu como prova um vídeo no qual Núbia pede aos presentes a reunião que ajudem o sobrinho e Anthony Garotinho, pré-candidato a governador pelo PRP. Na gravação, em voz nítida, a ex-prefeita afirma que seriam pagos R$ 100 a quem organizasse os encontros.

Sobre o assunto, a equipe do deputado transferiu a responsabilidade para adversários: diz que a gravação é de 2014 e que foi postada com o objetivo de "incriminar a campanha para reeleição" do parlamentar. Isso, porém, será fácil de esclarecer: é só comparar imagens da ex-prefeita feitas há quatro anos com a que está no vídeo. Uma coisa é certa: quem aparece no vídeo se dirigindo a um grupo de eleitores em potencial é a ex-prefeita e o "estamos pagando 100 reais" está bem claro.

Além do vídeo dos R$ 100 outras duas gravações poderão complicar a situação do deputado. Em uma ele aparece em imagens – aparentemente feitas em seu gabinete – convocando moradores de Piabetá para uma ação social do governo do estado no dia 22 de abril de 2017. Na segunda ele foi filmado cumprimentando as pessoas atendidas e é citado pelo narrador como autor do pedido que resultou em evento semelhante realizado no início deste ano, também em Piabetá.

A existência dessas duas gravações divulgadas nas redes sociais acendeu o sinal de alerta entre alguns colaboradores do deputado e não é a toa. Na semana passada o juízo da 130ª Zona Eleitoral cancelou programação igual as de Piabetá, que estava agendada para o dia 7 no município de São Francisco do Itabapoana, onde que aparecia como pai do filho alheio era o deputado João Peixoto. Ao determinar o cancelamento o magistrado responsável pela Justiça Eleitoral naquela cidade afirmou: "Essa técnica de marketing eleitoral, que combina a divulgação e implementação de políticas públicas com a imagem de algum agente público, é ilícito grave, porque viola dois princípios constitucionais da administração pública: a moralidade e a impessoalidade".

 

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