Clã que governou Magé por quase 30 anos vive à sombra da ex-prefeita que até dia desses se anunciava como pré-candidata em 2020, embora esteja inelegível

 

Os números das últimas quatro eleições mostram que a ex-prefeita Núbia Cozzolino ainda tem lá seus 20% de aceitação em um eleitorado que hoje está na casa dos 180 mil. Porém, com prisões preventivas decretadas pela Justiça, a já tostada imagem da líder do clã que governou Magé por quase 30 anos, pode ter sido torrada de vez, o que seria péssimo para o deputado estadual Renato Cozzolino Harb que, não fossem os esforços da tia, jamais teria um mandato para chamar de seu. De olho nas eleições municipais de 2020, aliados sabem que diante da conjuntura atual não poderiam contar nem com os 20%, quanto mais com aquela carreta de votos necessária à condução de alguém ao cargo de prefeito...

 

Se o clã está baqueado, adversários, antigos e novos, começam a movimentar o tabuleiro do jogo político e a tendência hoje entre eles, é de não aceitar nem o apoio velado da ex-prefeita e dos seus, quanto mais uma composição, ainda que como vice. Pelo que já se move nos bastidores da política mageense, um médico dono de clínicas particulares tem feito reuniões com vários segmentos da sociedade, inclusive líderes evangélicos.

Há ainda o candidato de sempre Ricardo Correia de Barros, o Ricardo da Karol – primeiro suplente de deputado federal do PRP, com chances de vir a sentar na cadeira com um possível convite para Wladimir Garotinho ocupar um cargo no governo estadual – e o indefinido habitual em relação à disputa pela Prefeitura, José Augusto Nalin, que em oportunidades anteriores não demonstrou disposição o suficiente para candidatar-se a prefeito.

Também se fala nos corredores da política do estreante Andre Antonio Lopes do Nascimento, o vereador Sargento Lopes, que, sem dinheiro até para a gasolina dos carros da campanha, fez bonito nas urnas, somando 15.887 votos; sem falar no cacife do prefeito Rafael Santos de Souza, Rafael Tubarão, que estará fora do jogo por se encontrar em situação de reeleito, mas poderá lançar – e com certeza o fará – um dos três nomes que ele já teria no bolso do colete.

O habeas corpus em favor de Núbia foi assinado no dia 19 e divulgado no dia seguinte. Ela deveria ter sido solta na quinta-feira (22), mas não chegou a ser liberada, pois juiz Felipe Carvalho Gonçalves da Silva, da Vara Criminal de Magé, decretou nova prisão preventiva. Na sexta-feira (23), a defesa da ex-prefeita impetrou mais um recurso e este poderá ser julgado ainda nesta segunda-feira.

Com mais de uma centena de processos, Núbia perdeu a liberdade eu caso deixou muita gente na Justiça furiosa. Ela foi denunciada como responsável por falsificação de assinaturas em nove processos de improbidade nos quais figurava como ré, mas o MP ampliou as investigações, colocando sob suspeita muitas outras ações.

O juiz Gabriel de Almeida, que em junho assumiu como substituto a 1ª Vara Cível de Magé, foi quem detectou as irregularidades. Ele notou que alguns processos contra Núbia tinham desaparecido outros tiveram assinaturas de promotores falsificadas. Ele acionou o MP, que iniciou as investigações que resultaram nas prisões da ex-prefeita de quatro dos advogados dela. O magistrado foi transferido para a Comarca de Itaperuna, decisão tomada pelo Tribunal de Justiça no início deste mês.

 

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