Guapimirim virou “eldorado” para empresas recém-criadas
Empresa alvo da Lava-Jato faturou milhões em Itaguaí
Prefeito de Magé quer o MP investigando denúncias de Núbia
Guapimirim tem 115 dias de contas no escuro
Câmara de Nova Iguaçu recebeu repasse duplo em janeiro

Prefeitura tranca seus números em caixa-preta e a população não tem acesso a informações sobre receita e despesas, dados que pela Lei da Transparência precisam estar às claras

O prefeito Jocelito Pereira de Oliveira, o Zelito Tringuelê (foto) está completando nesta terça-feira (25) 115 dias de mandato e ninguém sabe onde e em que ele está aplicando os recursos do município. Não há informações sobre os gastos com pessoal e manutenção dos serviços essenciais, pois o sistema da Prefeitura de Guapimirim não disponibiliza as contas públicas como determina a lei. As edições do boletim informativo também sumiram. No site oficial só aparecem duas e com o mesmo número: 169, datadas de 2 e 6 de janeiro. Não se vê avisos de licitação, resultados dos pregões, nomes das empresas fornecedoras e sobre quanto a administração municipal esta gastando, por exemplo, com merenda escolar, alimentação no hospital, medicamentos e materiais de consumo. Perguntar ao governo soa como ofensa. Ninguém fala nada. 

Os vereadores posaram para foto como se estivessem diante de um grande feito "devolvendo" R$ 2 milhões. Só não explicaram aos cidadãos que o repasse de janeiro foi duplo, quase o dobro do que estava sendo mandado de volta

Foram creditados R$ 3,8 milhões no primeiro mês do ano e mais R$ 6,6 milhões em fevereiro, março e abril, um total de mais de R$ 10 milhões em 115 dias

Divulgada como um grande feito, como se fora uma ação generosa de seus membros, a devolução de R$ 2 milhões aos cofres a Prefeitura anunciada em março pela Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu pode não ter sido ocasionada pela alegada economia de recursos, mas sim por excesso de dinheiro. É que em janeiro a Casa comandada pelo vereador Rogério Teixeira Júnior, o Juninho do Pneu (foto), recebeu dois repasses de mais de R$ 1,9 milhão, uma transferência de exatos R$ 3.854.306,49 durante o mês. No dia 17, através da Ordem de Pagamento 539/2017 foram creditados R$ 1.937.776,49 na conta da Câmara e no dia 20, pela OP 135/2017, mais R$ 1.916.530,00. Ao todo o Legislativo recebeu este ano mais de R$ 10 milhões, pois além das duas transferências de janeiro ocorreram três repasses de R$ 2.202.473,48 cada um nos dias 20 de fevereiro, 17 de março e 19 de abril.

O descarte de lixo que Dr. João dizia ser irregular continua sendo feito no mesmo lugar, no bairro Venda Velha. O lixão ganhou cerca e uma entrada com vigilância, mas ainda assim é um lixão

Prefeito de São João de Meriti ignora o próprio discurso e mantém o mesmo esquema de coleta e descarte de lixo. O que para ele era irregular agora parece maravilhoso aos olhos dele

Em agosto de 2016 – no fervor da campanha eleitoral – o então deputado federal João Ferreira Neto, o Dr. João (PR), fez um inflamado discurso na tribuna da Câmara para denunciar supostas irregularidades no contrato e na prestação dos serviços de coleta e descarte de lixo em São João de Meriti, cidade da qual hoje, pelo menos no papel, ele é o governante. Os alvos eram o prefeito Sandro Matos e as empresas Meriti Mais Verde e Verde Gestão, que, de acordo com registros da receita federal pertencem ao mesmo dono, Marcelo Nascimento Andrade, sendo basicamente uma só. Ferreira falava até em crime ambiental, denunciando a existência de um lixão no bairro Venda Velha, segundo ele, “um ponto de descarte adotado pela Prefeitura sem nenhum critério técnico-sanitário”. Passados quase oito meses desde a falação  de Ferreira os serviços continuam ruins e o tal lixão, embora disfarçado, está no mesmo lugar. A única coisa que mudou foi o tratamento dado a empresa contratada: o grupo Verde Ambiental já não é criticado pelo prefeito nem tem mais dificuldades em receber as faturas, pois seus processos não demoram no gabinete nem dormem nas gavetas da Secretaria de Governo.

Prorrogação se deu por termo aditivo quando, pela lei, já não cabe mais nenhum

De acordo com a legislação em vigor um contrato para prestação de serviços ao poder público pode ser renovado sucessivamente por termos aditivos até que sua duração complete cinco anos. A partir daí é necessário a abertura de um novo processo licitatório para contratar o mesmo objeto, mas parece que o prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (foto), não sabe disso e se sabe entendeu que não precisa observar a lei em suas ações, pois ampliou por mais doze meses o Contrato 001/Secom/2012, firmado com a Agência Nacional de Propaganda. O Termo Aditivo 007 foi publicado na última quarta-feira (19), com data de 31 de março e foi classificado por quem entende do assunto como uma “aberração jurídica”, já que aos olhos de Lisboa parece que a simples “renovação excepcional do prazo de vigência” lhe calça diante de qualquer questionamento na Justiça. Nesse ato a Prefeitura decidiu gastar R$ 5 milhões em publicidade, sem licitação, quando várias unidades de saúde estão fechadas e o governo ameaça paralisar o setor de emergência do Hospital da Posse.

A proposta visa garantir atendimento odontológico especializado a pacientes com deficiência intelectual e microcefalia

Graças a uma parceria firmada entre a Secretaria Estadual de Saúde e o Núcleo Odontológico de Radiologia e Atendimento a Pacientes com Necessidades Especiais da Policlínica Piquet Carneiro crianças e adultos com comprometimento neurológico vem recebendo, gratuitamente, atendimento odontológico de média e alta complexidades gratuito através do programa Mais Sorriso. O serviço, que oferece ainda exames de imagem, funciona no Hospital Estadual Carlos Chagas e no Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer e está franqueado para todos os municípios do estado do Rio de Janeiro.