Guapimirim virou “eldorado” para empresas recém-criadas
Empresa alvo da Lava-Jato faturou milhões em Itaguaí
Prefeito de Magé quer o MP investigando denúncias de Núbia
Guapimirim tem 115 dias de contas no escuro
Câmara de Nova Iguaçu recebeu repasse duplo em janeiro

E a Prefeitura – que não revela quanto o serviço está realmente custando aos contribuintes – pagou por ele R$ 7,8 milhões em menos de dois meses

Durante a campanha eleitoral o hoje prefeito de São João de Meriti, João Ferreira Neto, o Dr. João (foto), dizia que a coleta de lixo era “muito cara e ruim” e que se eleito iria substituir a terceirizada responsável pelo serviço. Passados 107 dias deste a posse do novo gestor, a empresa Meriti Mais Verde permanece atuando no município, o serviço continua ruim e o seu custo exato não é sabido, já que a Prefeitura não disponibiliza - de forma clara como manda a lei - as contas da administração municipal, omitindo, por exemplo, contratos e licitações. De acordo com números apurados em relação aos meses de janeiro e fevereiro, a coleta de lixo tão criticada pelo hoje prefeito, mesmo sendo alvo de muitas reclamações por parte dos moradores, consumiu R$ 7,8 milhões em menos de dois meses, com quatro faturas liquidadas entre os dias 27 de janeiro e 20 de fevereiro. A permanecer nesse ritmo, a coleta de lixo na cidade vai chegar ao fim de abril com um custo total de R$ 15,6 milhões e se não houver fiscalização por parte do governo, além de cara, continuará ruim.

Rogério Lisboa parece que ainda não se deu conta de que o prefeito agora é ele e que não está mais no palanque

Lá se foram 100 dias de choradeira e transferência de responsabilidades

O serviço de iluminação pública é bem precário. Não há uma rua sequer em todo o município que não tenham lâmpadas queimadas, mas quem reclama tem escutado do prefeito Rogério Lisboa e seus secretários a mesma resposta: “A culpa é do Bornier”. Há exatos 104 dias a nova gestão continua pondo na conta do ex-prefeito tudo de ruim que os moradores apontam. Se a cobrança é sobre a coleta de lixo ou qualquer outro serviço, a alegação é a mesma. Só que a atual gestão já repassou mais de R$ 15 milhões para a Empresa Municipal de Limpeza Urbana, pagou R$ 791.469,69 a antiga terceirizada que cuidava da iluminação da cidade e contratou, sem licitação, outra empresa para isso, mas a culpa continua atribuída a gestão anterior. Para algumas lideranças comunitárias de Nova Iguaçu já passou da hora de o prefeito descer do palanque e começar a governar, fazer bem feito como prometeu na campanha, até porque jeito para isso ele dizia ter e os recursos chegam aos cofres públicos quase que diariamente: a receita acumulada entre os dias 1º janeiro e 13 de abril beira o total de R$ 300 milhões, sendo mais de R$ 80 milhões só em créditos do Fundo Nacional de Saúde.

Redução nos repasses intergovernamentais preocupa o governo

A estimativa era de que o município de Magé registrasse no primeiro trimestre deste ano uma receita de pelo menos R$ 130 milhões, somando a arrecadação própria com os repasses intergovernamentais – como royalties do petróleo, Fundo de Participação dos Municípios e Fundeb, por exemplo – mas os números são bem menores. A arrecadação no período não chegou a R$ 90 milhões, com a receita mensal que ate então oscilava entre R$ 40 milhões e R$ 44 milhões, caindo para cerca de R$ 30 milhões. Menos recurso significa menos ações de governo e, em nível de percentual, um comprometimento muito maior da receita com o custo de pessoal, que pela Lei de Responsabilidade Fiscal não pode passar de 54% das receitas correntes líquidas. Como matemática é uma ciência exata e os números não permitem mágica, o jeito é cortar despesas. Para o prefeito Rafael Santos de Souza, o Rafael Tubarão (foto), a prioridade hoje é manter os salários em dia e assegurar a continuidade dos serviços essenciais. Para investimentos, a solução é buscar parcerias batendo de porta em porta em Brasília.

Marcelino Borba disse ter comido uma nota fiscal relativa aos serviços da terceirizada da Saúde no mês de janeiro

Nota atestada em favor da terceirizada na Saúde tinha “gordura” de R$ 255 mil

Com um contrato de cerca de R$ 14 milhões renovado sucessivamente na gestão do prefeito Alcebíades Sabino através de termos aditivos, a empresa Mississipi Empreendimentos – responsável pelo fornecimento de mão de obra terceirizada para a limpeza do hospital municipal e do pronto socorro de Rio das Ostras – terá de explicar porque não têm pago com regularidade os salários dos trabalhadores. Providências nesse sentido estão sendo tomadas pela Câmara de Vereadores, que quer saber quanto a empresa recebeu do município nos últimos quatro anos e se a Mississipi tem recolhido as contribuições previdenciárias e o Fundo de Garantia dos funcionários. A relação entre a terceirizada e governo ficou balançada a partir de fevereiro, quando uma nota fiscal de R$ 650 mil atestada no curto período do vereador Marcelino Borba como secretário de Saúde, teve o valor questionado pelo prefeito Carlos Augusto Balthazar, que depois de analisar a medição relativa aos serviços prestados no mês de janeiro mandou pagar o total de R$ 395 mil. O mais estranho é que ao ser questionado sobre o destino da fatura atestada em sua gestão, o ex-secretário respondeu de forma inesperada: “Comi!”

Aluizio, Eduardo Cardoso, Paulo Antunes e George Jardim são réus em ações movidas pelo Ministério Público

Além dos fantasmas já denuniciados nomeações de parentes de vereadores enrolam Aluizio

Nos próximos dias deverá sair mais uma decisão de bloqueio de bens envolvendo o prefeito e um vereador de Macaé, em processo no qual o Ministério Público aponta pagamento de salários a servidores que não fariam jus aos vencimentos recebidos. Na semana passada o juízo da 2ª Vara Cível da comarca local decidiu bloquear bens de Aluízio dos Santos Junior, o Dr. Aluizio e do presidente da Câmara de Vereadores, Eduardo Cardoso, porque uma filha deste teria recebido cerca de R$ 300 mil entre 2007 e 2015, sem prestar serviços. Quanto ao novo caso a Procuradoria do município resolveu se antecipar e está convocando uma filha do vereador Paulo Antunes, para que ela tome conhecimento de valor a ser devolvido aos cofres da municipalidade. Ocorre que não são apenas os “fantasmas” que tiram a tranquilidade do homem que venceu as eleições de 2012 pregando mudanças, austeridade e com o mesmo discurso foi reeleito no ano passado: Aluizio é réu em pelo menos quatro processos de nepotismo e em três deles figuram também os vereadores Eduardo Cardoso, Paulo Antunes e o George Jardim.