Guapimirim virou “eldorado” para empresas recém-criadas
Empresa alvo da Lava-Jato faturou milhões em Itaguaí
Prefeito de Magé quer o MP investigando denúncias de Núbia
Guapimirim tem 115 dias de contas no escuro
Câmara de Nova Iguaçu recebeu repasse duplo em janeiro
 O prefeito Rogério Lisboa gastou o tempo responsabilizando o passado pelo presente. Falou muito em dívidas e esqueceu de explicar o destino dado aos recursos intergovernamentais que chegam a R$ 101 milhões no período, sem falar dos repasses do Fundo Nacional de Saúde, que somam R$ 86 milhões

O balanço apresentado para uma platéia de aliados políticos e ocupantes de cargos comissionados era para ter sido uma mostra do “jeito de fazer bem feito”, mas foi recheado de desculpas

“Em 100 dias terei colocado os postos de saúde para funcionar até as nove horas da noite”. Essa era uma das muitas promessas de campanha do hoje prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PR), que ontem, com 16 dias de atraso, fez o que chamou de prestação de contas dos primeiros 100 dias de governo. Com o auditório da Universidade Iguaçu tomado de nomeados em cargos comissionados e aliados políticos, Lisboa abriu o evento dizendo que a marca da gestão dele “é a do diálogo, da transparência e do fazer, tendo a sensibilidade de entender as angústias da população quando os serviços não chegam”, mas em seguida voltou a olhar pelo retrovisor e, talvez para justificar o fato de não ter conseguido fazer nada do que prometera executar logo no primeiro trimestre de 2017, passou a culpar o passado pelo presente, deixando claro que ainda não começou a governar.

  ⁠⁠⁠Enquanto alguns moradores da Boca do Rego  alegam que a reforma da ponte seria uma forma de favorecimento a um parente do prefeito, ele resolveu “tirar” o distrito de Rio Preto do mapa de Resende para justificar a falta de atendimento de saúde aos moradores daquela localidade

Ponte que dá acesso à fazenda de um parente do prefeito é reformada

A reforma de uma ponte na estrada do Bonsucesso, na localidade conhecida como “Boca do Rego”, na zona rural de Resende, acabou se transformando em mais uma polêmica para o prefeito Diogo Balieiro Diniz. É que segundo alguns vizinhos, a ponte serve de acesso a uma fazenda que tem como um dos proprietários um parente próximo do chefe do Executivo, uma benesse que justificaria a melhoria. O anúncio oficial da Prefeitura não informa se a Secretaria de Agricultura e Pecuária possui em seu organograma uma equipe destinada a reformas ou se os trabalhos teriam contado com a ajuda de algum “parceiro” do governo.

Estimativa é de mais de R$ 300 milhões desde 2005

Quando, no dia 1º de janeiro de 2005 o ex-prefeito de Mangaratiba Carlo Busatto Junior, o Charlinho (foto), assumiu a Prefeitura de Itaguaí o município tornou-se um eldorado para a Construtora Lytoranea, hoje alvo da Operação Lava-Jato, por ter sido subcontratada pela Odebrecht e dela ter recebido R$ 8,7 milhões, segundo o Ministério Público Federal, antes mesmo de ter iniciado os serviços. Obras federais a parte, a empresa é a que mais faturou em Itaguaí nas duas gestões de Charlinho e continuou faturando nas administrações dos ex-prefeitos Luciano Mota e Weslei Pereira e, de acordo com as estimativas, os pagamentos feitos a ela podem ter ultrapassado a cifra de R$ 300 milhões e, revelam dados do sistema de registros de empenho da Prefeitura, ainda tem um saldo de R$ 1.368.655,15 a receber, uma “merreca” para a companhia campeã dos contratos públicos na cidade que ainda é governada por Busatto, apesar de ele estar condenado a uma pena de 14 anos de prisão por fraude em licitação, corrupção passiva e associação criminosa.

A Operação Uniforme Fantasma foi aclamada por moradores que foram até a praça da Prefeitura em apoio à caçada a membros do então do governo acusados de corrupção. Núbia Cozzolino era a prefeita

Ré em processo da Operação Uniforme Fantasma e em várias outras ações judiciais a ex-prefeita falou de supostas compras em empresas de fachada e agora vai ter de apresentar as provas

Oito anos após a Operação Uniforme Fantasma, que resultou na prisão de 19 pessoas, o assunto foi trazido à tona esta semana e, pasmem, por uma das principais acusadas, a ex-prefeita Núbia Cozzolino, que teve o mandato cassado no dia 9 de setembro de 2009 e responde a várias ações judiciais. Núbia divulgou acusações de que gestão atual teria gasto cerca de R$ 5 milhões adquirindo uniformes escolares em empresas de fachada. O ataque verbal da ex-prefeita, entretanto, deverá render mais um processo contra ela, pois o prefeito Rafael Santos de Souza, o Rafael Tubarão (foto), decidiu que vai representar junto ao MP  para que a denúncia seja apurada e para que ela apresente as provas do que falou. “Nenhuma das empresas mencionadas vendeu peças de uniforme escolar em minha gestão. Se ela diz que tem os documentos vai ter que apresentá-los. Sou o maior interessado numa investigação e vou adorar ver a promotoria atuando nesse sentido. Vejo nessa falação toda a reação desesperada de quem vinha tentando voltar ao poder de forma indireta e ainda não digeriu a derrota sofrida nas urnas pelo sobrinho no ano passado”, disse.

Transferências feitas entre 23 de janeiro e 20 de abril somaram  mais de R$ 7,4 milhões

Em resposta a fontes da Prefeitura que disseram que o elizeupires.com errou ao informar – na matéria “Caixa-preta da Codeni esconde gastos em Nova Iguaçu”, veiculada sábado (dia 22 – que os repasses para a Companhia de Desenvolvimento de Nova Iguaçu feitos pela atual gestão somaram mais de R$ 6,6 milhões, alegando que as transferências foram menores, pedimos desculpas aos nossos leitores para reconhecer que erramos sim. Os créditos na conta da Codeni foram bem maiores: ultrapassaram a soma R$ 7,4 milhões. Os repasses de janeiro foram de R$ 1.898.472,73 e não no valor de R$ 1.112.523,71 como tínhamos informado. Já as transferências de fevereiro chegaram ao total de R$ 1.520.190,10, as de março somaram R$ 2.650.632,24, enquanto os créditos de abril (repasses feitos até o dia 20), somaram R$ 1.359.544,19. O que a gestão do prefeito Rogério Lisboa precisa fazer é explicar porque esse volume tão grande de recursos para uma autarquia cuja utilidade nem o próprio governo sabe explicar de forma convincente.